E agora, José?
O dia acabou, a noite chegou, a conta "contou" e você não ganhou.
E agora José?
Lamber as feridas, buscar culpados, recolher-se ao anonimato provisório ou lançar as bases de uma nova oposição.
Uma oposição que durante oito anos pouco ou nada fez, constrangida talvez pela enorme popularidade do presidente Lula.
Para os que atribuem todo o sucesso dele, a imensa sorte do Brasil ter se tornado a "bola da vez" aproveitando de todos os desequilíbrios da economia mundial, para posar de grande estadista, fica aqui um pensamento de arquibancada, tão ao gosto do nosso presidente - perguntem a qualquer torcedor se eles preferem ter como atacante do seu time, um centroavante grosso mais com muita sorte ou um craque azarado?
O "até logo" do Serra, que para muitos pode soar como um chamado ao combate deverá ampliar o dissimulado "racha" que já começa aparecer nas fileiras do PSDB.
Quais devem ser as armas da oposição?
O fato de Dilma ter obtido 56 milhões de votos, tem como contraponto os 44 milhões que não queriam ela como presidente.
A oposição terá o comando de 10 estados brasileiros, entre os quais o de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, que sozinhos representam mais da metade do PIB nacional.
Dilma terá como fiel da balança, mais uma vez, o voraz PMDB, que já tem a lhe morder os calcanhares o PSB, que conquistou espaços importantes nessa eleição.
Dilma precisará adotar medidas de contenção de gastos duras logo no início do seu governo, para conseguir manter as rédeas da economia, isso sem contar as inúmeras batalhas internacionais a serem travadas. A ela, com certeza fará falta o carisma e a popularidade do seu antecessor.
Mas, como bons brasileiros que somos - não é José?- só nos resta torcer para que a nossa nova centroavante, consciente das suas limitações, procure estar sempre bem colocada na área, aguardando a bola certa que irá nos dar a vitória no campeonato.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Carta para o Chico Buarque
Não conheço José Danon, mas a carta é digna de reprodução.
Celso
Carta para o Chico Buarque
José Danon
Chico, você foi, é e será sempre meu herói. Pelo que você foi, pelo que você é e pelo que creio que continuará sendo. Por isso mesmo, ao ver você declarar que vai votar no Lula “por falta de opção”, tomei a liberdade de lhe apresentar o que, na opinião do seu mais devoto e incondicional admirador, pode ser uma opção.
Eu também votei no Lula contra o Collor. Tanto pelo que representava o Lula como pelo que representava o Collor. Eu também acreditava no Lula. E até aprendi várias coisas com ele, como citar ditos da mãe. Minha mãe costumava lembrar a piada do bêbado que contava como tinha se machucado tanto. Cambaleante, ele explicava: “Eu vi dois touros e duas árvores, os que eram e os que não eram. Corri e subi na árvore que não era, aí veio o touro que era e me pegou.” Acho que nós votamos no Lula que não era, aí veio o Lula que era e nos pegou.
Chico, meu mestre, acho que nós, na nossa idade, fizemos a nossa parte. Se a fizemos bem feita ou mal feita, já é uma outra história. Quando a fizemos, acreditávamos que era a correta. Mas desconfio que nossa geração não foi tão bem-sucedida, afinal. Menos em função dos valores que temos defendido e mais em razão dos resultados que temos obtido. Creio que hoje nossa principal função será a de disseminar a mensagem adequada aos jovens que vão gerenciar o mundo a partir de agora. Eles que façam mais e melhor do que fizemos, principalmente porque o que deixamos para eles não foi grande coisa. Deixamos um governo que tem o cinismo de olimpicamente perdoar os “ companheiros que erraram” quando a corrupção é descoberta.
Desculpe, senhor, acho que não entendi. Como é, mesmo? Erraram? Ora, Chico. O erro é uma falha acidental, involuntária, uma tentativa frustrada ou malsucedida de acertar. Podemos dizer que errou o Parreira na estratégia de jogo, que erramos nós ao votarmos no Lula, mas não que tenham errado os zésdirceus, os marcosvalérios, os genoinos, dudas, gushikens, waldomiros, delúbios, paloccis, okamottos, adalbertos das cuecas, lulinhas, beneditasdasilva, burattis, professoresluizinhos, silvinhos, joãopaulocunhas, berzoinis, hamiltonlacerdas, lorenzettis, bargas, expeditovelosos, vedoins, freuds e mais uma centena de exemplares dessa espécie tão abundante, desafortunadamente tão preservada do risco de extinção por seu tratador. Esses não erraram. Cometeram crimes. Não são desatentos ou equivocados. São criminosos. Não merecem carinho e consolo, merecem cadeia.
Obviamente, não perguntarei se você se lembra da ditadura militar. Mas perguntarei se você não tem uma sensação de déjà vu nos rompantes de nosso presidente, na prepotência dos companheiros, na irritação com a imprensa quando a notícia não é a favor. Não é exagero, pergunte ao Larry Rother do New York Times, que, a propósito, não havia publicado nenhuma mentira. Nem mesmo o Bush, com sua peculiar e texana soberba, tem ousado ameaçar jornalistas por publicarem o que quer que seja. Pergunte ao Michael Moore. E olhe que, no caso do Bush, fazem mais que simples e despretensiosas alusões aos seus hábitos ou preferências alcoólicas no happy hour do expediente.
Mas devo concordar plenamente com o Lula ao menos numa questão em especial: quando acusa a elite de ameaçá-lo, ele tem razão. Explica o Aurélio Buarque de Hollanda que elite, do francês elite, significa “o que há de melhor em uma sociedade, minoria prestigiada, constituída pelos indivíduos mais aptos”. Poxa! Na mosca. Ele sabe que seus inimigos são as pessoas do povo mais informadas, com capacidade de análise, com condições de avaliar a eficiência e honestidade de suas ações. E não seria a primeira vez que essa mesma elite faz esse serviço. Essa elite lutou pela independência do Brasil, pela República, pelo fim da ditadura, pelas diretas-já, pela defenestração do Collor e até mesmo para tirar o Lula das grades da ditadura em 1980, onde passou 31 dias. Mas ela é a inimiga de hoje. E eu acho que é justamente aí que nós entramos.
Nós, que neste país tivemos o privilégio de aprender a ler, de comer diariamente, de ter pais dispostos a se sacrificar para que pudéssemos ser capazes de pensar com independência, como é próprio das elites - o que, a propósito, não considero uma ofensa -, não deveríamos deixar como herança para os mais jovens presentes de grego como Lula, Chávez, Evo Morales, Fidel - herói do Lula, que fuzila os insatisfeitos que tentam desesperadamente escapar de sua “democracia”. Nossa herança deveria ser a experiência que acumulamos como justo castigo por admitirmos passivamente ser governados pelo Lula, pelo Chávez, pelo Evo e pelo Fidel, juntamente com a sabedoria de poder fazer dessa experiência um antídoto para esse globalizado veneno. Nossa melhor herança será o sinal que deixaremos para quem vem depois, um claro sinal de que permanentemente apoiaremos a ética e a honestidade e repudiaremos o contrário disto. Da mesma forma que elegemos o bom, destronamos o ruim, mesmo que o bom e o ruim sejam representados pela mesma pessoa em tempos distintos.
Assim como o maior mal que a inflação causa é o da supressão da referência dos parâmetros do valor material das coisas, o maior mal que a impunidade causa é o da perda de referência dos parâmetros de justiça social. Aceitar passivamente a livre ação do desonesto é ser cúmplice do bandido, condenando a vítima a pagar pelo malfeito.Temos opção. A opção é destronar o ruim. Se o oposto será bom, veremos depois. Se o oposto tampouco servir, também o destronaremos. A nossa tolerância zero contra a sacanagem evitará que as passagens importantes de nossa História, nesse sanatório geral, terminem por desbotar-se na memória de nossas novas gerações.
Aí, sim, Chico, acho que cada paralelepípedo da velha cidade, no dia 1º de outubro, vai se arrepiar.
Seu admirador número 1,
Zé Danon
José Danon é economista e
consultor de empresas
Celso
Carta para o Chico Buarque
José Danon
Chico, você foi, é e será sempre meu herói. Pelo que você foi, pelo que você é e pelo que creio que continuará sendo. Por isso mesmo, ao ver você declarar que vai votar no Lula “por falta de opção”, tomei a liberdade de lhe apresentar o que, na opinião do seu mais devoto e incondicional admirador, pode ser uma opção.
Eu também votei no Lula contra o Collor. Tanto pelo que representava o Lula como pelo que representava o Collor. Eu também acreditava no Lula. E até aprendi várias coisas com ele, como citar ditos da mãe. Minha mãe costumava lembrar a piada do bêbado que contava como tinha se machucado tanto. Cambaleante, ele explicava: “Eu vi dois touros e duas árvores, os que eram e os que não eram. Corri e subi na árvore que não era, aí veio o touro que era e me pegou.” Acho que nós votamos no Lula que não era, aí veio o Lula que era e nos pegou.
Chico, meu mestre, acho que nós, na nossa idade, fizemos a nossa parte. Se a fizemos bem feita ou mal feita, já é uma outra história. Quando a fizemos, acreditávamos que era a correta. Mas desconfio que nossa geração não foi tão bem-sucedida, afinal. Menos em função dos valores que temos defendido e mais em razão dos resultados que temos obtido. Creio que hoje nossa principal função será a de disseminar a mensagem adequada aos jovens que vão gerenciar o mundo a partir de agora. Eles que façam mais e melhor do que fizemos, principalmente porque o que deixamos para eles não foi grande coisa. Deixamos um governo que tem o cinismo de olimpicamente perdoar os “ companheiros que erraram” quando a corrupção é descoberta.
Desculpe, senhor, acho que não entendi. Como é, mesmo? Erraram? Ora, Chico. O erro é uma falha acidental, involuntária, uma tentativa frustrada ou malsucedida de acertar. Podemos dizer que errou o Parreira na estratégia de jogo, que erramos nós ao votarmos no Lula, mas não que tenham errado os zésdirceus, os marcosvalérios, os genoinos, dudas, gushikens, waldomiros, delúbios, paloccis, okamottos, adalbertos das cuecas, lulinhas, beneditasdasilva, burattis, professoresluizinhos, silvinhos, joãopaulocunhas, berzoinis, hamiltonlacerdas, lorenzettis, bargas, expeditovelosos, vedoins, freuds e mais uma centena de exemplares dessa espécie tão abundante, desafortunadamente tão preservada do risco de extinção por seu tratador. Esses não erraram. Cometeram crimes. Não são desatentos ou equivocados. São criminosos. Não merecem carinho e consolo, merecem cadeia.
Obviamente, não perguntarei se você se lembra da ditadura militar. Mas perguntarei se você não tem uma sensação de déjà vu nos rompantes de nosso presidente, na prepotência dos companheiros, na irritação com a imprensa quando a notícia não é a favor. Não é exagero, pergunte ao Larry Rother do New York Times, que, a propósito, não havia publicado nenhuma mentira. Nem mesmo o Bush, com sua peculiar e texana soberba, tem ousado ameaçar jornalistas por publicarem o que quer que seja. Pergunte ao Michael Moore. E olhe que, no caso do Bush, fazem mais que simples e despretensiosas alusões aos seus hábitos ou preferências alcoólicas no happy hour do expediente.
Mas devo concordar plenamente com o Lula ao menos numa questão em especial: quando acusa a elite de ameaçá-lo, ele tem razão. Explica o Aurélio Buarque de Hollanda que elite, do francês elite, significa “o que há de melhor em uma sociedade, minoria prestigiada, constituída pelos indivíduos mais aptos”. Poxa! Na mosca. Ele sabe que seus inimigos são as pessoas do povo mais informadas, com capacidade de análise, com condições de avaliar a eficiência e honestidade de suas ações. E não seria a primeira vez que essa mesma elite faz esse serviço. Essa elite lutou pela independência do Brasil, pela República, pelo fim da ditadura, pelas diretas-já, pela defenestração do Collor e até mesmo para tirar o Lula das grades da ditadura em 1980, onde passou 31 dias. Mas ela é a inimiga de hoje. E eu acho que é justamente aí que nós entramos.
Nós, que neste país tivemos o privilégio de aprender a ler, de comer diariamente, de ter pais dispostos a se sacrificar para que pudéssemos ser capazes de pensar com independência, como é próprio das elites - o que, a propósito, não considero uma ofensa -, não deveríamos deixar como herança para os mais jovens presentes de grego como Lula, Chávez, Evo Morales, Fidel - herói do Lula, que fuzila os insatisfeitos que tentam desesperadamente escapar de sua “democracia”. Nossa herança deveria ser a experiência que acumulamos como justo castigo por admitirmos passivamente ser governados pelo Lula, pelo Chávez, pelo Evo e pelo Fidel, juntamente com a sabedoria de poder fazer dessa experiência um antídoto para esse globalizado veneno. Nossa melhor herança será o sinal que deixaremos para quem vem depois, um claro sinal de que permanentemente apoiaremos a ética e a honestidade e repudiaremos o contrário disto. Da mesma forma que elegemos o bom, destronamos o ruim, mesmo que o bom e o ruim sejam representados pela mesma pessoa em tempos distintos.
Assim como o maior mal que a inflação causa é o da supressão da referência dos parâmetros do valor material das coisas, o maior mal que a impunidade causa é o da perda de referência dos parâmetros de justiça social. Aceitar passivamente a livre ação do desonesto é ser cúmplice do bandido, condenando a vítima a pagar pelo malfeito.Temos opção. A opção é destronar o ruim. Se o oposto será bom, veremos depois. Se o oposto tampouco servir, também o destronaremos. A nossa tolerância zero contra a sacanagem evitará que as passagens importantes de nossa História, nesse sanatório geral, terminem por desbotar-se na memória de nossas novas gerações.
Aí, sim, Chico, acho que cada paralelepípedo da velha cidade, no dia 1º de outubro, vai se arrepiar.
Seu admirador número 1,
Zé Danon
José Danon é economista e
consultor de empresas
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
A mídia e a transformação
O poder transformador da mídia sobre as pessoas é realmente assustador.
Ela pode distorcer a lógica, inverter pensamentos, trazendo à tona preconceitos que flutuam no subliminar das mensagens que são proferidas.
Não, apesar do tempo que estamos vivendo, não estou falando das eleições ou da esgrima marketineana praticada pelos comandos das campanhas presidenciais, muitas vezes sem a fleuma original desse nobre esporte.
Falo do poder exercido sobre a grande massa da população brasileira, que exposta a uma imensa gama de informações através dos meios de comunicação e não guardando a distância necessária para uma análise isenta, acaba por adquirir novos valores e atitudes que na maioria das vezes são opostos a sua crença e educação.
Essa semana, almoçando em um desses restaurantes fast food, encontro um grupo de quatro rapazes na mesa ao lado.
Três deles eram mais jovens, vestidos de jeans e camisetas. O outro, que aparentava ser o chefe deles, de terno e gravata. Discussão acalorada, um deles fazia a defesa de seus pensamentos, em uma possível tentativa de impressionar o chefe, com os seus conhecimentos e avaliações dos temas do noticiário.
Curioso que sou, bisbilhotices à parte, coloco atenção na conversa.
".....é, mas essa tal da Tânia Bulhões tem dinheiro, consegue os melhores advogados. Coloca a culpa nos funcionários, faz um acordo e sai fora da cadeia...."
" É, com dinheiro se consegue tudo nesse país!"
" E essa tal de Mercia Nakashima? Quem era essa mulher?"
"Apenas mais uma que morreu apanhando do marido. Nada de excepcional!"
"É isso mesmo, quem ela é para ter todo esse espaço na mídia? Nem mesmo como advogada ela era conhecida!"
Afinal, qual é a queixa?
Que famosos e endinheirados naturalmente tenham espaço na mídia e os pobres e desconhecidos permaneçam no anonimato?
Que a notoriedade da vitima prevaleça sobre a importância do crime?
A mesma pessoa que lamenta que o dinheiro e a posição social sirvam para livrar o criminoso do castigo severo é aquela que condena a exposição midiática de crimes de pessoas menos famosas.
Uma pessoa como ela, classe média, trabalhadora, que tinha a sua família e seus sonhos.
Sem querer entrar nos méritos de cada questão, a mídia que deu espaço para a Tânia fez o mesmo com a Mercia.
Uma, pela posição social que ocupa pode gozar de privilégios e concessões. A outra, ora a outra, quem é ela mesmo? Mais uma que morreu apanhando do marido?
Passamos a ver as barbaridades e crimes cometidos, sejam eles de qualquer natureza, como se fossem ficção, entretenimento, um filme.
Em algum momento do processo de comunicação, a repetição dos fatos e a constante impunidade, fez com que a informação nos conduzisse a uma completa letargia.
Adquirimos um novo senso de valores. É a fama pela fama.
Ela pode distorcer a lógica, inverter pensamentos, trazendo à tona preconceitos que flutuam no subliminar das mensagens que são proferidas.
Não, apesar do tempo que estamos vivendo, não estou falando das eleições ou da esgrima marketineana praticada pelos comandos das campanhas presidenciais, muitas vezes sem a fleuma original desse nobre esporte.
Falo do poder exercido sobre a grande massa da população brasileira, que exposta a uma imensa gama de informações através dos meios de comunicação e não guardando a distância necessária para uma análise isenta, acaba por adquirir novos valores e atitudes que na maioria das vezes são opostos a sua crença e educação.
Essa semana, almoçando em um desses restaurantes fast food, encontro um grupo de quatro rapazes na mesa ao lado.
Três deles eram mais jovens, vestidos de jeans e camisetas. O outro, que aparentava ser o chefe deles, de terno e gravata. Discussão acalorada, um deles fazia a defesa de seus pensamentos, em uma possível tentativa de impressionar o chefe, com os seus conhecimentos e avaliações dos temas do noticiário.
Curioso que sou, bisbilhotices à parte, coloco atenção na conversa.
".....é, mas essa tal da Tânia Bulhões tem dinheiro, consegue os melhores advogados. Coloca a culpa nos funcionários, faz um acordo e sai fora da cadeia...."
" É, com dinheiro se consegue tudo nesse país!"
" E essa tal de Mercia Nakashima? Quem era essa mulher?"
"Apenas mais uma que morreu apanhando do marido. Nada de excepcional!"
"É isso mesmo, quem ela é para ter todo esse espaço na mídia? Nem mesmo como advogada ela era conhecida!"
Afinal, qual é a queixa?
Que famosos e endinheirados naturalmente tenham espaço na mídia e os pobres e desconhecidos permaneçam no anonimato?
Que a notoriedade da vitima prevaleça sobre a importância do crime?
A mesma pessoa que lamenta que o dinheiro e a posição social sirvam para livrar o criminoso do castigo severo é aquela que condena a exposição midiática de crimes de pessoas menos famosas.
Uma pessoa como ela, classe média, trabalhadora, que tinha a sua família e seus sonhos.
Sem querer entrar nos méritos de cada questão, a mídia que deu espaço para a Tânia fez o mesmo com a Mercia.
Uma, pela posição social que ocupa pode gozar de privilégios e concessões. A outra, ora a outra, quem é ela mesmo? Mais uma que morreu apanhando do marido?
Passamos a ver as barbaridades e crimes cometidos, sejam eles de qualquer natureza, como se fossem ficção, entretenimento, um filme.
Em algum momento do processo de comunicação, a repetição dos fatos e a constante impunidade, fez com que a informação nos conduzisse a uma completa letargia.
Adquirimos um novo senso de valores. É a fama pela fama.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Lula é da Fiel!
Hoje, dia 31 de agosto, véspera do Centenário do Corinthians, poderemos presenciar a consagração de um brilhante case de marketing eleitoral, protagonizado por um dos maiores homens de marketing da política moderna.
O homem que criou um personagem fantástico, com a "cara" e os sentimentos do seu público-alvo. Um personagem com conteúdo marca e bandeira.
O case começou a ser montado três anos atrás, quando o Brasil foi escolhido pela FIFA para sediar a Copa do Mundo de 2014. Um trabalho muito bem afinado entre o governo federal e a CBF, contando com a presença e apoio de vários ministros.
O segundo passo foi a colocação de Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, como chefe da delegação brasileira que foi a Copa do Mundo na África. Contatos, aproximações e acordos disponibilizados pela sua presença nos bastidores do mundial.
Com a desqualificação do estádio do São Paulo como sede para receber a partida inaugural da Copa de 2014, após uma série de alegações e desencontros mal esclarecidos, "surge" a chamada oportunidade de mercado. Mas ela não poderia ser tomada de imediato. Como em todo bom filme de suspense, era necessário deixar a platéia quase sem esperanças, achando que o mocinho iria sucumbir nas garras do bandido, para que só aí surgisse a ajuda inesperada.
Como São Paulo, o maior estado da federação, poderia ficar fora da Copa?
O governo estadual e a prefeitura - ambos da oposição - se colocam contra a colocação de dinheiro público na construção de um estádio privado. Os possíveis investidores não demonstraram interesse.
Estaria São Paulo irremediávelmente alijado da Copa?
E nesse instante que surge a cavalaria.
O Corinthians coloca a serviço de São Paulo o seu futuro estádio, a ser construído em tempo recorde.
A construção a cargo da Odebrecht, uma das maiores construtoras brasileira, com estreita participação nas maiores obras do governo federal. Custo da obra para um público de 48.000 - R$ 300 milhões. Para complementar os 75.000 lugares exigidos pela organização do mundial, o Corinthians poderá contar com a suplementação de verba vinda da própria FIFA, a mesma que vetou o estádio do Morumbi.
Tudo pronto, só faltava chamar o presidente para a festa, que por um problema de agenda presidencial deve de ser antecipada em um dia.
Por isso hoje, provavelmente vestindo a camisa alvinegra, Lula mais uma vez será o salvador do povo. Entregará a São Paulo e a sua maior torcida, uma das duas maiores torcidas brasileiras, o sonho da casa própria - seu estádio - que ainda levará como bônus a efetivação como sede da Copa.
Lula receberá do Corinthians o título de Torcedor Símbolo do Centenário e do Clube dos 13 o de Chanceler Honorário do Futebol Brasileiro.
Não será nenhuma surpresa se o próprio Mercadante, santista de carteirinha, aproveitar toda essa "comoção corintiana".
Um case que ainda rendera frutos daqui a quatro anos, quando estaremos bem próximos das tratativas da próxima eleição presidencial
Tudo isso dentro do reduto tucano, que só terá como opção aplaudir e ouvir o povo gritar: Lula é da Fiel!
O homem que criou um personagem fantástico, com a "cara" e os sentimentos do seu público-alvo. Um personagem com conteúdo marca e bandeira.
O case começou a ser montado três anos atrás, quando o Brasil foi escolhido pela FIFA para sediar a Copa do Mundo de 2014. Um trabalho muito bem afinado entre o governo federal e a CBF, contando com a presença e apoio de vários ministros.
O segundo passo foi a colocação de Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, como chefe da delegação brasileira que foi a Copa do Mundo na África. Contatos, aproximações e acordos disponibilizados pela sua presença nos bastidores do mundial.
Com a desqualificação do estádio do São Paulo como sede para receber a partida inaugural da Copa de 2014, após uma série de alegações e desencontros mal esclarecidos, "surge" a chamada oportunidade de mercado. Mas ela não poderia ser tomada de imediato. Como em todo bom filme de suspense, era necessário deixar a platéia quase sem esperanças, achando que o mocinho iria sucumbir nas garras do bandido, para que só aí surgisse a ajuda inesperada.
Como São Paulo, o maior estado da federação, poderia ficar fora da Copa?
O governo estadual e a prefeitura - ambos da oposição - se colocam contra a colocação de dinheiro público na construção de um estádio privado. Os possíveis investidores não demonstraram interesse.
Estaria São Paulo irremediávelmente alijado da Copa?
E nesse instante que surge a cavalaria.
O Corinthians coloca a serviço de São Paulo o seu futuro estádio, a ser construído em tempo recorde.
A construção a cargo da Odebrecht, uma das maiores construtoras brasileira, com estreita participação nas maiores obras do governo federal. Custo da obra para um público de 48.000 - R$ 300 milhões. Para complementar os 75.000 lugares exigidos pela organização do mundial, o Corinthians poderá contar com a suplementação de verba vinda da própria FIFA, a mesma que vetou o estádio do Morumbi.
Tudo pronto, só faltava chamar o presidente para a festa, que por um problema de agenda presidencial deve de ser antecipada em um dia.
Por isso hoje, provavelmente vestindo a camisa alvinegra, Lula mais uma vez será o salvador do povo. Entregará a São Paulo e a sua maior torcida, uma das duas maiores torcidas brasileiras, o sonho da casa própria - seu estádio - que ainda levará como bônus a efetivação como sede da Copa.
Lula receberá do Corinthians o título de Torcedor Símbolo do Centenário e do Clube dos 13 o de Chanceler Honorário do Futebol Brasileiro.
Não será nenhuma surpresa se o próprio Mercadante, santista de carteirinha, aproveitar toda essa "comoção corintiana".
Um case que ainda rendera frutos daqui a quatro anos, quando estaremos bem próximos das tratativas da próxima eleição presidencial
Tudo isso dentro do reduto tucano, que só terá como opção aplaudir e ouvir o povo gritar: Lula é da Fiel!
terça-feira, 27 de julho de 2010
A massa e o Massa
É da natureza humana buscar sempre uma referência para seguir.
Segmentos da sociedade, grupos, países e gerações, criam e cultuam seus ídolos, introjetando todas as suas esperanças, valores, ambições e até mesmo frustrações por objetivos próprios não alcançados.
Os ídolos passam à História como exemplos de comportamentos e atitudes, muitas vezes até ajudando a escrever a própria História.
Existiam ídolos que fizeram de seus conteúdos e exemplos de vida o passaporte para eternidade - Jesus Cristo, Gandi, Martin Luther King, Mandela.
Alguns por descobertas que mudaram o mundo - Da Vinci, Einstein, Sabin.
Outros por suas conquistas - Alexandre, César, Napoleão.
Nesse mundo midiático em que vivemos, aonde a celebridade é instantânea e fugaz, talvez a maior fonte geradora de ídolos esteja na categoria das profissões.
Nos cinemas e televisões, atores e atrizes atraem desejos e emoções, fazem chorar, sorrir, atraem a raiva e mudam comportamentos.
Na música, Presley, Beatles, Jackson, Stones, U2 e outros tantos, atraem multidões e se perpetuam através de gerações de fãs.
Mas, para nós brasileiros, o esporte sempre foi o maior forjador de ídolos conhecido.
Pelé, Senna, Oscar e Hortência, Kuerten, Cielo, a galeria é grande. Da mesma forma é grande também a obsessão por seus resultados, a ponto de transformar atletas em disputa de uma competição em guerreiros na defesa do orgulho nacional. É a "pátria de chuteiras"!
Ao fazermos isso nos esquecemos do princípio básico de qualquer esporte, do sentido olímpico da competição, onde competir bem é mais importante que vencer.
Esquecemos que antes de tudo nosso ídolo em luta nas arenas esportivas é um profissional e, como tal, tem para a empresa que o contratou uma série de deveres e obrigações. A empresa tem seus objetivos, que devem prevalecer sobre qualquer objetivo individual de seus contratados.
Tomemos como exemplo, ainda no setor esportivo, o caso de do centroavante de uma equipe de futebol que esteja em busca da artilharia do campeonato.
A sua equipe precisa vencer e o jogo está empatado. No último minuto da partida surge a oportunidade do gol salvador. Em vez de tocar a bola para um companheiro em condições excepcionais para marcar, ele tenta fazer a jogada, que o colocaria na artilharia, e perde o gol. A meta individual superou a coletiva e o objetivo da empresa não foi atingido.
Claro, estamos falando do Felipe Massa, sim!
Talentoso, grande brasileiro, mas que acima de tudo é um profissional de rara qualidade. Em um universo em que os egos crescem a 300 quilômetros por hora, Massa soube abdicar de seu desejo pessoal de vitória para atender o objetivo maior da Ferrari, o de ganhar o campeonato mundial.
Se existe alguma coisa errada em tudo isso certamente não é o profissional Felipe Massa. Ele cumpriu o seu contrato de trabalho, que sempre teve uma meta clara. Aliás, como em qualquer empresa, em qualquer profissão.
No mundo do automobilismo a torcida é pela equipe, que sempre conta para alcançar o sucesso com dois pilotos profissionais.
Segmentos da sociedade, grupos, países e gerações, criam e cultuam seus ídolos, introjetando todas as suas esperanças, valores, ambições e até mesmo frustrações por objetivos próprios não alcançados.
Os ídolos passam à História como exemplos de comportamentos e atitudes, muitas vezes até ajudando a escrever a própria História.
Existiam ídolos que fizeram de seus conteúdos e exemplos de vida o passaporte para eternidade - Jesus Cristo, Gandi, Martin Luther King, Mandela.
Alguns por descobertas que mudaram o mundo - Da Vinci, Einstein, Sabin.
Outros por suas conquistas - Alexandre, César, Napoleão.
Nesse mundo midiático em que vivemos, aonde a celebridade é instantânea e fugaz, talvez a maior fonte geradora de ídolos esteja na categoria das profissões.
Nos cinemas e televisões, atores e atrizes atraem desejos e emoções, fazem chorar, sorrir, atraem a raiva e mudam comportamentos.
Na música, Presley, Beatles, Jackson, Stones, U2 e outros tantos, atraem multidões e se perpetuam através de gerações de fãs.
Mas, para nós brasileiros, o esporte sempre foi o maior forjador de ídolos conhecido.
Pelé, Senna, Oscar e Hortência, Kuerten, Cielo, a galeria é grande. Da mesma forma é grande também a obsessão por seus resultados, a ponto de transformar atletas em disputa de uma competição em guerreiros na defesa do orgulho nacional. É a "pátria de chuteiras"!
Ao fazermos isso nos esquecemos do princípio básico de qualquer esporte, do sentido olímpico da competição, onde competir bem é mais importante que vencer.
Esquecemos que antes de tudo nosso ídolo em luta nas arenas esportivas é um profissional e, como tal, tem para a empresa que o contratou uma série de deveres e obrigações. A empresa tem seus objetivos, que devem prevalecer sobre qualquer objetivo individual de seus contratados.
Tomemos como exemplo, ainda no setor esportivo, o caso de do centroavante de uma equipe de futebol que esteja em busca da artilharia do campeonato.
A sua equipe precisa vencer e o jogo está empatado. No último minuto da partida surge a oportunidade do gol salvador. Em vez de tocar a bola para um companheiro em condições excepcionais para marcar, ele tenta fazer a jogada, que o colocaria na artilharia, e perde o gol. A meta individual superou a coletiva e o objetivo da empresa não foi atingido.
Claro, estamos falando do Felipe Massa, sim!
Talentoso, grande brasileiro, mas que acima de tudo é um profissional de rara qualidade. Em um universo em que os egos crescem a 300 quilômetros por hora, Massa soube abdicar de seu desejo pessoal de vitória para atender o objetivo maior da Ferrari, o de ganhar o campeonato mundial.
Se existe alguma coisa errada em tudo isso certamente não é o profissional Felipe Massa. Ele cumpriu o seu contrato de trabalho, que sempre teve uma meta clara. Aliás, como em qualquer empresa, em qualquer profissão.
No mundo do automobilismo a torcida é pela equipe, que sempre conta para alcançar o sucesso com dois pilotos profissionais.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Indio por índio, eu preferia o Juruna.
Fico a imaginar em que tipo de planejamento de marketing político encaixa-se o vice candidato á presidência pelo PSDB, o deputado federal (DEM), Indio da Costa.
Dois meses atrás em uma lista de prováveis vices de Serra, que era encabeçada pelo governador de Minas Gerais Aécio Neves, Indio da Costa não apareceria entre os cem primeiros pré candidatos.
Jogo de búzios, cartomantes, astrólogos, tarôs, borras de café e chás, enfim, não importa a magia escolhida, nada ou ninguém acertaria essa escolha.
Nem mesmo o polvo da Copa do Mundo seria capaz de tal profecia.
Carregando consigo a sua juventude, mais todos os preciosos minutos de televisão do DEM, Indio da Costa tem se mostrado uma verdadeira metralhadora giratória ideológica, mandando seguidos projéteis para cima da candidata Dilma Roussef e do seu PT.
FARCS, narcotráfico, MST, a campanha trazida para o plano das ideologias - a luta do Bem contra o Mal, além de cheirar a mofo, pode não render bons dividendos para a campanha de Serra.
Coisas como "eles comem crianças" ou "ditadores do terceiro mundo" não aderem mais ao eleitorado. O discurso acadêmico também não.
Falar a língua do povo, verbalizar seus anseios e necessidades, é a grande vantagem do atual governo.
Olheiras de molho, caro Serra. O caminho que está sendo trilhado por Indio da Costa e a radicalização dos discursos pode afastar o PSDB do Planalto.
Indio por índio, em Brasília, eu preferia mesmo o Juruna.
Dois meses atrás em uma lista de prováveis vices de Serra, que era encabeçada pelo governador de Minas Gerais Aécio Neves, Indio da Costa não apareceria entre os cem primeiros pré candidatos.
Jogo de búzios, cartomantes, astrólogos, tarôs, borras de café e chás, enfim, não importa a magia escolhida, nada ou ninguém acertaria essa escolha.
Nem mesmo o polvo da Copa do Mundo seria capaz de tal profecia.
Carregando consigo a sua juventude, mais todos os preciosos minutos de televisão do DEM, Indio da Costa tem se mostrado uma verdadeira metralhadora giratória ideológica, mandando seguidos projéteis para cima da candidata Dilma Roussef e do seu PT.
FARCS, narcotráfico, MST, a campanha trazida para o plano das ideologias - a luta do Bem contra o Mal, além de cheirar a mofo, pode não render bons dividendos para a campanha de Serra.
Coisas como "eles comem crianças" ou "ditadores do terceiro mundo" não aderem mais ao eleitorado. O discurso acadêmico também não.
Falar a língua do povo, verbalizar seus anseios e necessidades, é a grande vantagem do atual governo.
Olheiras de molho, caro Serra. O caminho que está sendo trilhado por Indio da Costa e a radicalização dos discursos pode afastar o PSDB do Planalto.
Indio por índio, em Brasília, eu preferia mesmo o Juruna.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
It´s only business!
"Negócios são negócios" - frase proferida pelo chanceler Celso Amorim, quando em visita com o presidente Lula ao Guiné Equatorial, país que é dirigido há mais de 31 anos pelo ditador Teodoro Objiang Mbsogo.
Essa foi a justificativa à imprensa e a comunidade internacional, pela atitude do Brasil em estabelecer parcerias comerciais com mais uma ditadura do mundo.
Na boca de Celso Amorim a frase adquiriu uma "leveza", um tom corriqueiro, como se fosse a normalidade das atitudes e procedimentos de qualquer outra grande nação.
Ah! Mas é claro! Negócios são assim mesmo. O importante é procurar novos mercados, novos consumidores, ampliar nossa participação no market share mundial. Crescimento a qualquer custo.
Parece que isso vale para tudo. De alimentos e matérias primas, até armas e munição.
Nesse último caso, podemos vender para os dois lados, dobrando nossas vendas, não?
Vamos fortalecer as ditaduras do mundo, afinal serão sempre clientes cativos.
De "lambuja", ainda damos uma demonstração clara para o mundo de como somos imparciais, sem preconceitos.
Grande frase ministro Amorim! Poderia usar também "...os fins justificam os meios", caberia igual, mas talvez sem a modernidade da sua.
No Quênia, o presidente Lula clamou aos quatro ventos pela democracia, mas no Guiné Equatorial...Mas para que a preocupação com esses detalhes, afinal, "it´s only business".
Essa foi a justificativa à imprensa e a comunidade internacional, pela atitude do Brasil em estabelecer parcerias comerciais com mais uma ditadura do mundo.
Na boca de Celso Amorim a frase adquiriu uma "leveza", um tom corriqueiro, como se fosse a normalidade das atitudes e procedimentos de qualquer outra grande nação.
Ah! Mas é claro! Negócios são assim mesmo. O importante é procurar novos mercados, novos consumidores, ampliar nossa participação no market share mundial. Crescimento a qualquer custo.
Parece que isso vale para tudo. De alimentos e matérias primas, até armas e munição.
Nesse último caso, podemos vender para os dois lados, dobrando nossas vendas, não?
Vamos fortalecer as ditaduras do mundo, afinal serão sempre clientes cativos.
De "lambuja", ainda damos uma demonstração clara para o mundo de como somos imparciais, sem preconceitos.
Grande frase ministro Amorim! Poderia usar também "...os fins justificam os meios", caberia igual, mas talvez sem a modernidade da sua.
No Quênia, o presidente Lula clamou aos quatro ventos pela democracia, mas no Guiné Equatorial...Mas para que a preocupação com esses detalhes, afinal, "it´s only business".
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