Hoje, a cada milésimo de segundo, os veículos de informação e as redes sociais estão sendo tomadas de assalto por milhões de post, e mails e depoimentos sensibilizados de um contingente impressionante de fãs e adoradores de Steve Jobs.
Uma morte que apesar de estar aguardada por todos, provocou uma das maiores comoções digitais que a mídia já teve conhecimento.
O gênio inventivo, a inteligência aguçada, a capacidade infinita de se comunicar e o poder de traduzir os mais loucos sonhos digitais em realidade ao alcance dos dedos, fizeram de Steve Jobs, um ser tão próximo a todos e a vida de cada um, que passou a fazer parte da família.
Mas será que não existe um exagero grande nessa reação?
Afinal, Jobs era tão imprescindível assim? Suas criações foram tão decisivas para a vida de tantas pessoas? Qual é a razão de tanta loucura?
De repente me vejo criança. A data era 15 de dezembro de 1966 e eu ouvia inconformado o locutor da rádio informando que acabara de morrer Walter Elias Disney, Walt Disney.
Mas como era possível? pensava entre uma lágrima e um soluço. Como ele podia ter deixado órfãos milhares de crianças no mundo inteiro? Choravam o Mickey, Pato Donald e Pinóquio, Branca de Neve abraçava desesperada os Sete anões e a Cinderela se recusava a abandonar o seu castelo.
Seria o fim da magia que a cada história me transportava para um mundo de alegria e diversão? Todos esses amigos do imaginário iriam morrer também?
A recordação daquele momento traz a resposta as minhas indagações.
A semelhança entre as duas situações, mais do que a doença que levou os dois, reside exatamente no mundo que cada um deles criou ou possibilitou acessar.
Assim como aquela criança que fui, feliz por poder me transportar para o convívio dos meus personagens preferidos, os equipamentos criados por Jobs muito mais que facilitar a vida das empresas e das pessoas, permitiu com que cada um de nós pudéssemos nos transportar para um mundo de amigos em redes universais, um mundo em que nos tornarmos personagens da nossa própria história.
Hoje, para tristeza de todos, Branca de Neve e a maça estão unidas em mais uma história.
Vamos esperar a chegada de um novo príncipe para mais uma vez acordar cada menina e menino que existe dentro de nós.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
sexta-feira, 10 de junho de 2011
A memória que fica
Antes de tudo quero deixar claro que faço parte da legião de admiradores fervorosos do Ronaldo Nazário - o nosso Ronaldo.
Depois, para um melhor conhecimento dos amigos da minha capacidade de avaliação sobre jogadores, esclareço que faço parte de uma geração que teve a oportunidade de ver jogar craques da grandeza Garrincha, Rivelino, Zico e Maradona.
Que tive a oportunidade de ver jogar e se despedir dos campos de futebol do maior de todos eles, Pelé.
Como o próprio já disse uma vez, ao ser perguntado quem foi o melhor jogador de todos os tempos - ele ou Maradona - as comparações devem ser feitas tendo por base as conquistas alcançadas pelo atleta.
Pelé foi dez vezes campeão paulista, quatro vezes campeão Rio/São Paulo, cinco vezes campeão da taça Brasil, duas vezes campeão da Libertadores, duas vezes campeão mundial de clubes e três vezes campeão mundial de seleções, isso sem contar a infinidade de torneios regionais conquistados por ele e seus companheiros.
Edu Jonas, um dos maiores ponta esquerda do futebol brasileiro e companheiro por muitos anos de Pelé, no Santos e na seleção, confidenciou-me uma vez que, qualquer esporte que Pelé tivesse escolhido, seria sempre o maior. Na primeira concentração em estiveram juntos - disse Edu - Pelé participou pela primeira vez de um jogo de sinuca. Três dias depois, ninguém vencia mais Pelé.
Mas o assunto de hoje, divagações á parte, não é estabelecer uma comparação sobre jogadores e suas carreiras, mas sim, como eles realizam as suas despedidas.
Quero contrapor as emoções das homenagens recebidas por Pelé, do Santos e da seleção brasileira, com o "espetáculo" da festa de despedida do Ronaldo no jogo dessa terça feira.
Lamentável em brilho, cor e participação. Um evento sem a menor emoção, por mais que o locutor tivesse tentado passar o contrário. Uma final de um campeonato de truco no bar do clube certamente seria mais emocionante.
Quando a exibição do homenageado, não que estivéssemos esperando um Ronaldo ágil, inteligente e veloz - suas melhores qualidades - mas o que vimos chegou a ser patético. Vinte e um jogadores fazendo o possível para que Ronaldo deixasse sua marca na despedida. Contra ele apenas dois, o goleiro da Romênia e o seu estado físico deplorável.
Por instantes me fez lembrar a despedida de outro gênio do futebol - Garrincha - em um jogo que os zagueiros adversários chegavam a deixar as pernas abertas para que ele conseguisse o drible de efeito.
Esse menino de São Cristovão, Rio de Janeiro, que tantas alegrias nos deu, com tanto sacrifico pessoal e físico, merecia uma festa melhor, com mais respeito e preservação.
Talvez tenha faltado a Ronaldo a sabedoria de Pelé para escolher o momento certo de parar. A imagem correta para deixar na memória de todos.
A passagem mais adequada para entrar na história.
Depois, para um melhor conhecimento dos amigos da minha capacidade de avaliação sobre jogadores, esclareço que faço parte de uma geração que teve a oportunidade de ver jogar craques da grandeza Garrincha, Rivelino, Zico e Maradona.
Que tive a oportunidade de ver jogar e se despedir dos campos de futebol do maior de todos eles, Pelé.
Como o próprio já disse uma vez, ao ser perguntado quem foi o melhor jogador de todos os tempos - ele ou Maradona - as comparações devem ser feitas tendo por base as conquistas alcançadas pelo atleta.
Pelé foi dez vezes campeão paulista, quatro vezes campeão Rio/São Paulo, cinco vezes campeão da taça Brasil, duas vezes campeão da Libertadores, duas vezes campeão mundial de clubes e três vezes campeão mundial de seleções, isso sem contar a infinidade de torneios regionais conquistados por ele e seus companheiros.
Edu Jonas, um dos maiores ponta esquerda do futebol brasileiro e companheiro por muitos anos de Pelé, no Santos e na seleção, confidenciou-me uma vez que, qualquer esporte que Pelé tivesse escolhido, seria sempre o maior. Na primeira concentração em estiveram juntos - disse Edu - Pelé participou pela primeira vez de um jogo de sinuca. Três dias depois, ninguém vencia mais Pelé.
Mas o assunto de hoje, divagações á parte, não é estabelecer uma comparação sobre jogadores e suas carreiras, mas sim, como eles realizam as suas despedidas.
Quero contrapor as emoções das homenagens recebidas por Pelé, do Santos e da seleção brasileira, com o "espetáculo" da festa de despedida do Ronaldo no jogo dessa terça feira.
Lamentável em brilho, cor e participação. Um evento sem a menor emoção, por mais que o locutor tivesse tentado passar o contrário. Uma final de um campeonato de truco no bar do clube certamente seria mais emocionante.
Quando a exibição do homenageado, não que estivéssemos esperando um Ronaldo ágil, inteligente e veloz - suas melhores qualidades - mas o que vimos chegou a ser patético. Vinte e um jogadores fazendo o possível para que Ronaldo deixasse sua marca na despedida. Contra ele apenas dois, o goleiro da Romênia e o seu estado físico deplorável.
Por instantes me fez lembrar a despedida de outro gênio do futebol - Garrincha - em um jogo que os zagueiros adversários chegavam a deixar as pernas abertas para que ele conseguisse o drible de efeito.
Esse menino de São Cristovão, Rio de Janeiro, que tantas alegrias nos deu, com tanto sacrifico pessoal e físico, merecia uma festa melhor, com mais respeito e preservação.
Talvez tenha faltado a Ronaldo a sabedoria de Pelé para escolher o momento certo de parar. A imagem correta para deixar na memória de todos.
A passagem mais adequada para entrar na história.
quarta-feira, 23 de março de 2011
O Público e o "Privado"
A prepotência do governo federal, que parecia não ter acompanhado a troca da faixa presidencial, dá sinais de renascimento no governo Dilma.
A exigência da troca de comando da Vale, com a saída de Roger Agnelli da presidência, é uma demonstração clara do continuísmo do "modus operandi" do governo, que assim como faz com a Petrobrás- uma empresa de controle estatal - quer subjugar a Vale, que desde 1997 se tornou uma empresa privada.
Não que não seja permitido a qualquer acionista, de qualquer empresa privada, pleitear e requerer a troca de comando quando os rumos das empresas e os resultados dos acionistas não estão sendo bem conduzidos.
O governo federal, acionista e um dos principais controladores da Vale através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pode fazê-lo, bem como, a Bradespar (Bradesco) e a Mitsui Trading (capital japonês), as outras duas empresas do bloco de comando.
As coisas não vão bem, troca-se a administração da empresa. Tudo certo, não fosse por um pequeno detalhe. Durante os dez anos de comando de Agnelli, a Vale teve um crescimento exponencial, tornando-se a segunda maior empresa de mineração do mundo.
Em 2010, a Vale obteve um lucro líquido de R$ 30,1 bilhões, o maior de toda a história da mineração.
Então, onde está o problema?
A primeira "trombada" com o governo federal aconteceu em 2008, quando a Vale demitiu funcionários e suspendeu provisoriamente alguns investimentos para fazer frente a toda a crise mundial. Isso contrariava explicitamente o discurso do governo, que preconizava o Brasil como a Ilha da Fantasia, com empregos e trabalhos abundantes.
Quando tudo parecia acomodado, apesar do osso encalacrado na garganta do governo, vem a segunda tentativa governamental de meter as mãos nos cofres da Vale.
Uma dívida de R$ 4 bilhões em royalties para municípios mineiros, tida como certa pelo governo e contestada veementemente pela Vale, joga gasolina sobre a brasa adormecida.
A Vale quer resolver as coisas na justiça, o governo quer que tudo seja resolvido nos gabinetes palacianos, sem maiores envolvimentos da mídia.
O governo considera um desrespeito a chefia, uma insubordinação, uma falta de patriotismo de Agnelli, colocar os interesses dos acionistas da Vale acima dos interesses políticos do país.
O absurdo maior parte da boca do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão: “O que são R$ 4 bilhões para uma empresa que teve um lucro líquido de mais de R$ 30 bilhões?”
A Vale é hoje a maior exportadora brasileira e conta com mais de 115.000 empregados. Será que preservar a empresa sadia, gerando exportações e empregos, não é atender os objetivos do governo federal?
A exigência da troca de comando da Vale, com a saída de Roger Agnelli da presidência, é uma demonstração clara do continuísmo do "modus operandi" do governo, que assim como faz com a Petrobrás- uma empresa de controle estatal - quer subjugar a Vale, que desde 1997 se tornou uma empresa privada.
Não que não seja permitido a qualquer acionista, de qualquer empresa privada, pleitear e requerer a troca de comando quando os rumos das empresas e os resultados dos acionistas não estão sendo bem conduzidos.
O governo federal, acionista e um dos principais controladores da Vale através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pode fazê-lo, bem como, a Bradespar (Bradesco) e a Mitsui Trading (capital japonês), as outras duas empresas do bloco de comando.
As coisas não vão bem, troca-se a administração da empresa. Tudo certo, não fosse por um pequeno detalhe. Durante os dez anos de comando de Agnelli, a Vale teve um crescimento exponencial, tornando-se a segunda maior empresa de mineração do mundo.
Em 2010, a Vale obteve um lucro líquido de R$ 30,1 bilhões, o maior de toda a história da mineração.
Então, onde está o problema?
A primeira "trombada" com o governo federal aconteceu em 2008, quando a Vale demitiu funcionários e suspendeu provisoriamente alguns investimentos para fazer frente a toda a crise mundial. Isso contrariava explicitamente o discurso do governo, que preconizava o Brasil como a Ilha da Fantasia, com empregos e trabalhos abundantes.
Quando tudo parecia acomodado, apesar do osso encalacrado na garganta do governo, vem a segunda tentativa governamental de meter as mãos nos cofres da Vale.
Uma dívida de R$ 4 bilhões em royalties para municípios mineiros, tida como certa pelo governo e contestada veementemente pela Vale, joga gasolina sobre a brasa adormecida.
A Vale quer resolver as coisas na justiça, o governo quer que tudo seja resolvido nos gabinetes palacianos, sem maiores envolvimentos da mídia.
O governo considera um desrespeito a chefia, uma insubordinação, uma falta de patriotismo de Agnelli, colocar os interesses dos acionistas da Vale acima dos interesses políticos do país.
O absurdo maior parte da boca do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão: “O que são R$ 4 bilhões para uma empresa que teve um lucro líquido de mais de R$ 30 bilhões?”
A Vale é hoje a maior exportadora brasileira e conta com mais de 115.000 empregados. Será que preservar a empresa sadia, gerando exportações e empregos, não é atender os objetivos do governo federal?
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
O mundo conectado
Segundo a consultoria Deloitte, em 2011, mais de 50% dos dispositivos de informática vendidos no mundo não serão computadores.
Os tablets e os smartphones, com mais de 400 milhões de vendas previstas para 2011, serão "a bola da vez", estimulando e empurrando para cima a previsão de U$ 10 bilhões de receita para todo o setor.
Mais mobilidade e maior rapidez exigem internet e banda larga em expansão contínua. Ligações sem fio já ultrapassaram a marca de 100 Mbit/segundo.
O mundo que você pensou hoje de manhã já poderá estar velho na hora do jantar.
A velocidade com que as informações trafegam no mundo digital, pelas redes sociais, blogs e páginas de internet é espantosa.
Os jornais impressos, a bem pouco tempo atrás, pensavam como iriam adaptar o seu conteúdo a internet. Hoje isso já não basta. O formato necessário agora é o que caiba nos tablets e smartphones.
A necessidade sempre foi a mãe das invenções. Será que hoje, não são as invenções que estão gerando as necessidades?
Os tablets e os smartphones, com mais de 400 milhões de vendas previstas para 2011, serão "a bola da vez", estimulando e empurrando para cima a previsão de U$ 10 bilhões de receita para todo o setor.
Mais mobilidade e maior rapidez exigem internet e banda larga em expansão contínua. Ligações sem fio já ultrapassaram a marca de 100 Mbit/segundo.
O mundo que você pensou hoje de manhã já poderá estar velho na hora do jantar.
A velocidade com que as informações trafegam no mundo digital, pelas redes sociais, blogs e páginas de internet é espantosa.
Os jornais impressos, a bem pouco tempo atrás, pensavam como iriam adaptar o seu conteúdo a internet. Hoje isso já não basta. O formato necessário agora é o que caiba nos tablets e smartphones.
A necessidade sempre foi a mãe das invenções. Será que hoje, não são as invenções que estão gerando as necessidades?
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Fiat Lux no Brasil da Dilma Rousseff
O conhecimento da presidenta Dilma Rousseff do setor elétrico brasileiro nos faz crer que ela tenha o estofo necessário para desembrulhar o nó existente no setor, conduzindo a um bom caminho a necessidade de expansão da oferta de energia que o nosso desenvolvimento nos impõe.
O tamanho dos investimentos necessários, mesmo antes do corte orçamentário de R$ 50 bilhões, é muitas vezes superior a capacidade brasileira. O Brasil não tem caixa para custear todas as despesas demandadas. Portanto, os investidores externos, mais que bem aceitos, são imprescindíveis.
Como atrair esses investidores, se não remuneramos adequadamente o capital desejado?
Segundo uma importante empresa do setor, o governo brasileiro vem mantendo artificialmente baixo o valor das tarifas pagas aos geradores.
Isso, associado a uma carga tributária que pode chegar a 44%, desestimula a participação das empresas geradoras de energia nos leilões do governo.
O que se vê é a presença constante de grupos formados por construtoras, que por força do próprio "core business", podem perder em uma ponta para ganhar em outra.
O capital não aceita desaforo e as empresas do setor elétrico não estão dispostas a arcar com o chamado "custo Brasil".
A outra questão a ser resolvida é o tempo de construção e ativação das usinas hidroelétricas.
Razões financeiras, logísticas e até ambientais, impedem a rapidez na sua execução das obras necessárias, o que aumenta a distância entre a demanda e a oferta.
Talvez o Brasil precise construir mais usinas menores, até mesmo aquelas que empregam o gás como força motriz, para poder abastecer o mercado consumidor até que as maiores estejam prontas.
Apesar de serem consideradas nocivas ao meio ambiente, as usinas a gás podem ser uma alternativa. A matriz energética brasileira é extremamente limpa e mesmo com a utilização pontual do gás, estaremos ainda muito longe dos índices nocivos europeus.
A outra alternativa é a energia eólica. Com os atuais conflitos nos países árabes e a alta no preço do petróleo, a energia eólica volta a ter seus custos competitivos.
No Brasil, vento e espaço nunca faltam.
O tamanho dos investimentos necessários, mesmo antes do corte orçamentário de R$ 50 bilhões, é muitas vezes superior a capacidade brasileira. O Brasil não tem caixa para custear todas as despesas demandadas. Portanto, os investidores externos, mais que bem aceitos, são imprescindíveis.
Como atrair esses investidores, se não remuneramos adequadamente o capital desejado?
Segundo uma importante empresa do setor, o governo brasileiro vem mantendo artificialmente baixo o valor das tarifas pagas aos geradores.
Isso, associado a uma carga tributária que pode chegar a 44%, desestimula a participação das empresas geradoras de energia nos leilões do governo.
O que se vê é a presença constante de grupos formados por construtoras, que por força do próprio "core business", podem perder em uma ponta para ganhar em outra.
O capital não aceita desaforo e as empresas do setor elétrico não estão dispostas a arcar com o chamado "custo Brasil".
A outra questão a ser resolvida é o tempo de construção e ativação das usinas hidroelétricas.
Razões financeiras, logísticas e até ambientais, impedem a rapidez na sua execução das obras necessárias, o que aumenta a distância entre a demanda e a oferta.
Talvez o Brasil precise construir mais usinas menores, até mesmo aquelas que empregam o gás como força motriz, para poder abastecer o mercado consumidor até que as maiores estejam prontas.
Apesar de serem consideradas nocivas ao meio ambiente, as usinas a gás podem ser uma alternativa. A matriz energética brasileira é extremamente limpa e mesmo com a utilização pontual do gás, estaremos ainda muito longe dos índices nocivos europeus.
A outra alternativa é a energia eólica. Com os atuais conflitos nos países árabes e a alta no preço do petróleo, a energia eólica volta a ter seus custos competitivos.
No Brasil, vento e espaço nunca faltam.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
"Fecham-se as cortinas..."
Hoje, lembrei-me de um dos maiores narradores esportivos do rádio brasileiro - Fiori Giglioti.
Um profissional capaz de transmitir um lance de uma partida de futebol com tamanha perfeição que parecia que estávamos no próprio campo de futebol, observando cada detalhe da jogada.
É dele o famoso bordão “abrem-se as cortinas e começa o espetáculo", início de todas as suas transmissões.
Sim, porque isso foi o que sempre significou o futebol. Um maravilhoso espetáculo executado por um grupo de artistas, pintando com cores inimagináveis, as suas mais belas jogadas, fazendo desse esporte um momento de pura devoção.
Pelé, Garrincha, Didi, Rivelino, Gérson e tantos outros, que a cada domingo, como se fosse uma procissão, transportavam multidões aos estádios, todos sempre a espera da jogada inesquecível.
A bola parecia fazer parte de seus corpos, uma extensão das próprias pernas, tal era a cumplicidade e reverência com que era tratada.
Transformado em business, o futebol perdeu um pouco da sua paixão, do seu atrevimento.
Os artistas cederam lugar para os guerreiros, cada partida uma batalha, a magia sendo trocada pela eficiência espartana, regras do novo negócio.
Mas, os deuses do futebol, saudosistas que são, volta e meia enviam aqui para a Terra, artistas dispostos a transgredir as determinações estabelecidas.
Aparecem os Maradonas, Zicos, Rivaldos, Messis, Romários, que com genialidade desconcertante, desafiam todas as táticas planejadas. Surgem para lembrar que o prazer da arte sempre será maior que o simples e mecânico resultado.
Espalham a sua magia por todo o mundo, fazendo ressuscitar em nossos corações a velha chama da paixão.
Como filhos dos deuses do futebol são reverenciados por todas as nações. Reis, príncipes e presidentes estão sempre dispostos a adulá-los, na tentativa inútil de transferir a popularidade alcançada por esses ídolos, as suas nem sempre honestas condutas.
Só que até mesmo filhos de deuses têm prazo de validade. Nem mesmo eles resistem ao tempo.
Ontem foi o dia de mais um desses heróis tirarem o seu manto de divindade e voltar a ser um simples mortal.
O menino do São Cristovão que conquistou o mundo.
Talvez ninguém tenha personificado tão bem o encontro do passado com o futebol moderno como ele.
A irreverência dos antigos com a força dos deuses de hoje. Uma dádiva que fez dele um ídolo de todas as bandeiras, até mesmo de equipes rivais as quais serviu.
Agora ele se retira. Mais uma vez o tempo foi implacável. mais uma vez nos deixou órfãos.
Resta um vazio. Um vazio e a esperança que os deuses se compadeçam das nossas aflições e enviem mais um de seus filhos. Alguém que nos faça acreditar que a magia nunca termina.
A cortina se fechou pondo fim ao espetáculo.
Eu, como milhares de outros torcedores, permaneço na platéia. Silencioso, na espera da cortina novamente se abrir e poder mais uma vez levar aos campos toda a minha emoção.
Um profissional capaz de transmitir um lance de uma partida de futebol com tamanha perfeição que parecia que estávamos no próprio campo de futebol, observando cada detalhe da jogada.
É dele o famoso bordão “abrem-se as cortinas e começa o espetáculo", início de todas as suas transmissões.
Sim, porque isso foi o que sempre significou o futebol. Um maravilhoso espetáculo executado por um grupo de artistas, pintando com cores inimagináveis, as suas mais belas jogadas, fazendo desse esporte um momento de pura devoção.
Pelé, Garrincha, Didi, Rivelino, Gérson e tantos outros, que a cada domingo, como se fosse uma procissão, transportavam multidões aos estádios, todos sempre a espera da jogada inesquecível.
A bola parecia fazer parte de seus corpos, uma extensão das próprias pernas, tal era a cumplicidade e reverência com que era tratada.
Transformado em business, o futebol perdeu um pouco da sua paixão, do seu atrevimento.
Os artistas cederam lugar para os guerreiros, cada partida uma batalha, a magia sendo trocada pela eficiência espartana, regras do novo negócio.
Mas, os deuses do futebol, saudosistas que são, volta e meia enviam aqui para a Terra, artistas dispostos a transgredir as determinações estabelecidas.
Aparecem os Maradonas, Zicos, Rivaldos, Messis, Romários, que com genialidade desconcertante, desafiam todas as táticas planejadas. Surgem para lembrar que o prazer da arte sempre será maior que o simples e mecânico resultado.
Espalham a sua magia por todo o mundo, fazendo ressuscitar em nossos corações a velha chama da paixão.
Como filhos dos deuses do futebol são reverenciados por todas as nações. Reis, príncipes e presidentes estão sempre dispostos a adulá-los, na tentativa inútil de transferir a popularidade alcançada por esses ídolos, as suas nem sempre honestas condutas.
Só que até mesmo filhos de deuses têm prazo de validade. Nem mesmo eles resistem ao tempo.
Ontem foi o dia de mais um desses heróis tirarem o seu manto de divindade e voltar a ser um simples mortal.
O menino do São Cristovão que conquistou o mundo.
Talvez ninguém tenha personificado tão bem o encontro do passado com o futebol moderno como ele.
A irreverência dos antigos com a força dos deuses de hoje. Uma dádiva que fez dele um ídolo de todas as bandeiras, até mesmo de equipes rivais as quais serviu.
Agora ele se retira. Mais uma vez o tempo foi implacável. mais uma vez nos deixou órfãos.
Resta um vazio. Um vazio e a esperança que os deuses se compadeçam das nossas aflições e enviem mais um de seus filhos. Alguém que nos faça acreditar que a magia nunca termina.
A cortina se fechou pondo fim ao espetáculo.
Eu, como milhares de outros torcedores, permaneço na platéia. Silencioso, na espera da cortina novamente se abrir e poder mais uma vez levar aos campos toda a minha emoção.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
O tempo da velocidade e a velocidade do tempo
Eu, como a maior parte da minha geração, cresci cultivando ídolos.
Eles -os meus ídolos - mais que modelos de atitudes e comportamentos tinham um poder mágico, um "pó de piripimpim" capaz de transportar todos nós para as suas ilusões em uma viagem mágica.
Uma cartucheira e um revólver de plástico bastavam para me transformar em Roy Rogers,
pronto para levar a justiça e a paz para todo o Velho Oeste. E, se por acaso ele estivesse em alguma outra missão, um pedaço de cabo de vassoura fazia às vezes de bengala e de pronto surgia Bat Masterson.
Na musica, Creedence Clearwater Revival e os Beatles faziam a trilha sonora. Claro, sem esquecer de Roberto Carlos e a sua Jovem Guarda, que nos colocava, todos os domingos à tarde, sem exceção, na frente dos televisores.
No futebol, a lista era ainda maior. Pelé, Garrincha, Rivelino, Gerson, Tostão, Ademir da Guia eram incorporados quase que mediunicamente por todos os garotos do bairro, sem distinção de classes sociais, da bola de meia a bola de capotão.
Nossos ídolos eram agentes das mudanças, instigadores dos nossos pensamentos e atitudes, padrões dos nossos comportamentos.
Tempos duros também surgiram. A ditadura chegou atuante, sempre pronta para sufocar qualquer liderança que não comungasse dos mesmos princípios. Os meios de comunicação sob censura eram proibidos de divulgar qualquer notícia ou informação que, na opinião dos ditadores de plantão, colocasse em risco a chamada revolução.
Mas, tudo isso passou. A grande revolução que vivemos é a revolução da tecnologia. Tudo se transformando a uma velocidade espantosa. O que hoje é novidade, amanhã já estará ultrapassado. A lei da obsolescência planejada atingiu até os ídolos. Agora eles vem com prazo de validade.
Será que o tempo entre as gerações também diminuiu?
A chegada do homem a Lua, a televisão colorida, os computadores, feitos e criações que transformaram o mundo em que vivemos revoluções que presenciei de forma privilegiada.
Mas talvez, o fato mais impressionante que pudemos assistir, pelo menos nos últimos dez anos, foi o surgimento da primeira revolução sem liderança, sem nenhum ídolo no comando.
Uma revolução comandada por pontas de dedos e redes sociais.
Uma ditadura de mais de 30 anos e o oitava maior exército do mundo, postos de joelhos por um levante popular nascido na internet.
Sem armas, sem comando central. Uma revolução com o rosto do povo. A mais perfeita tradução de democracia, o povo para o povo.
Parafraseando a letra da música de Rodrix, imortalizada pela voz de Elis Regina "...os meus ídolos ainda são os mesmos...", mas agora posso dizer que presenciei a primeira Revolução Popular Digital da história.
ps.Cris Hori, obrigado pela cobrança
Eles -os meus ídolos - mais que modelos de atitudes e comportamentos tinham um poder mágico, um "pó de piripimpim" capaz de transportar todos nós para as suas ilusões em uma viagem mágica.
Uma cartucheira e um revólver de plástico bastavam para me transformar em Roy Rogers,
pronto para levar a justiça e a paz para todo o Velho Oeste. E, se por acaso ele estivesse em alguma outra missão, um pedaço de cabo de vassoura fazia às vezes de bengala e de pronto surgia Bat Masterson.
Na musica, Creedence Clearwater Revival e os Beatles faziam a trilha sonora. Claro, sem esquecer de Roberto Carlos e a sua Jovem Guarda, que nos colocava, todos os domingos à tarde, sem exceção, na frente dos televisores.
No futebol, a lista era ainda maior. Pelé, Garrincha, Rivelino, Gerson, Tostão, Ademir da Guia eram incorporados quase que mediunicamente por todos os garotos do bairro, sem distinção de classes sociais, da bola de meia a bola de capotão.
Nossos ídolos eram agentes das mudanças, instigadores dos nossos pensamentos e atitudes, padrões dos nossos comportamentos.
Tempos duros também surgiram. A ditadura chegou atuante, sempre pronta para sufocar qualquer liderança que não comungasse dos mesmos princípios. Os meios de comunicação sob censura eram proibidos de divulgar qualquer notícia ou informação que, na opinião dos ditadores de plantão, colocasse em risco a chamada revolução.
Mas, tudo isso passou. A grande revolução que vivemos é a revolução da tecnologia. Tudo se transformando a uma velocidade espantosa. O que hoje é novidade, amanhã já estará ultrapassado. A lei da obsolescência planejada atingiu até os ídolos. Agora eles vem com prazo de validade.
Será que o tempo entre as gerações também diminuiu?
A chegada do homem a Lua, a televisão colorida, os computadores, feitos e criações que transformaram o mundo em que vivemos revoluções que presenciei de forma privilegiada.
Mas talvez, o fato mais impressionante que pudemos assistir, pelo menos nos últimos dez anos, foi o surgimento da primeira revolução sem liderança, sem nenhum ídolo no comando.
Uma revolução comandada por pontas de dedos e redes sociais.
Uma ditadura de mais de 30 anos e o oitava maior exército do mundo, postos de joelhos por um levante popular nascido na internet.
Sem armas, sem comando central. Uma revolução com o rosto do povo. A mais perfeita tradução de democracia, o povo para o povo.
Parafraseando a letra da música de Rodrix, imortalizada pela voz de Elis Regina "...os meus ídolos ainda são os mesmos...", mas agora posso dizer que presenciei a primeira Revolução Popular Digital da história.
ps.Cris Hori, obrigado pela cobrança
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