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terça-feira, 18 de maio de 2010

Esse é o cara?

Seja qual for o desdobramento que tomar o acordo com o Irã, o grande ganhador do jogo, definitivamente, foi o presidente Lula. Uma vitória que ele sabia, sob a ótica
política,que viria desde o início.
No caso de sucesso nas negociações o pedestal da glória o aguardava. Quanto ao possível fracasso, o dano em sua base de eleitores seria praticamente nulo, até mesmo pela distância do tema junto a grande maioria da população brasileira.
O resultado alcançado até agora com certeza dificultará o trabalho dos países que defendem a imposição de sanções ao Irã. Até mesmo porque as bases aprovadas estão muito perto daquelas oferecidas à negociação pelo presidente Obama.
Agora,a esperança dos EUA reside na reprovação dos detalhes do acordo pela AIEA - Agência Internacional de Energia Atômica(ONU), ou, na tradicional intransigência iraniana, sempre pronta á descumprir acordos.
Talvez, nesse exato momento, em seu salão oval, Obama esteja repetindo para os seus assessores - "Esse é o cara?"

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Quem paga a conta?

O corte de R$ 10 bilhões nas despesas anunciado pelo governo, as portas das eleições e em fim de mandato, terá o mesmo efeito que cortar o cafezinho de um jantar caro, um gesto de cena apenas.
Pirotecnia eleitoreira, o corte deverá acontecer na área de investimentos, não no custeio e despesas da máquina administrativa.
A solução é fácil e indolor. É só apresentar a conta para o PAC. Para isso o governo não precisará tomar nenhuma medida extra, é só deixar seguir a programação truncada e ineficiente dos três anos de programa.
Entre 2007 e 2009 apenas 40,3% das obras previstas foram concluídas. Dos R$ 638 bilhões de investimento alocado até 2010, só 63,3% foi utilizado, o que representa uma "economia" de R$ 234 bilhões.
O Ministro da Fazenda Guido Mantega já prometeu - "Vamos manter todo o programa de investimentos do PAC".
Portanto, como já dito, é só deixar seguir o programa. Com certeza "sobrará" para cobrir outros tantos buracos orçamentários.
Nessas coisas do governo, sempre aparece alguém para pagar o PAC.. digo, pato.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A "amiga" França

A França continua praticando com o Brasil a política do "bate e assopra".
Ao mesmo tempo em que o presidente Sarkozy dá o seu aval para Lula prosseguir como principal interlocutor nas negociações com o Irã, torpedeia a tentativa da UE - União Européia na busca de um acordo com o MERCOSUL.
Desse jeito, os aviões não decolam e os submarinos vão ao fundo, presidente!

Pensamentos....

Ficha Limpa ou "Limpa" a Ficha?

Vencer a primeira batalha não significa ganhar a guerra. A aprovação pela Câmara do Ficha Limpa(com o possível acordo de não valer para essa eleição), é apenas o primeiro obstáculo superado, muitos outros virão. Que tal pressionar os partidos a assumirem um compromisso público de proibir os seus "fichas sujas" de se candidatarem, agora em 2010?

Pensamentos...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O 13º trabalho de Hércules

A crise da Grécia está apenas começando.
Os 110 bilhões de euros que a UE disponibilizou para evitar a quebra grega- que geraria um "efeito cascata" no grupo de países do euro denominados PIGS (Portugal, Itália, Grécia e Spain/Espanha) - podem não ser o suficiente.
O "engessamento do câmbio" (a que todos os países da zona do euro estão comprometidos), não permite a desvalorização cambial, o que torna ainda mais difícil a situação.
Embora represente metade de toda a sua dívida, essa ajuda financeira submeterá a Grécia a um controle inviável. O que não for tomado pelo aperto dos cintos e pelo aumento dos impostos, certamente será levado pelo pagamento dos juros da dívida.
As alternativas, com o passar do tempo, vão diminuindo. O problema da Grécia não é um caso isolado e, portanto, não deve ser tratado como um ponto fora do gráfico.
Como a maioria dos títulos soberanos, tanto da Grécia como dos outros países do euro com economia debilitada, estão em poder dos bancos europeus, não é complicado de se imaginar o risco que toda a UE está correndo.
O temor pelo não pagamento das dívidas desses países, promoveria a fuga desse tipo de investimento, levando o valor dos títulos a zero e a uma quebradeira geral.
A tarefa não é fácil.
Na terra de Zeus, que tal chamar o seu filho Hércules para propor o 13ºtrabalho?

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A Oi larga na frente...

Realmente, uma pessoa para se admirar é o Falco. Luiz Eduardo Falco, presidente da OI, além de uma excelente pessoa, é um profissional como poucos.
Braço direito e esquerdo de Amaro Rolim, fundador da TAM, Falco em muito auxiliou o Comandante, na construção daquela que hoje é a maior companhia aérea brasileira. Talvez, tenha até herdado a matreirice e esperteza política de seu mentor, uma reconhecida "raposa" na condução das negociações do mundo empresarial.
A arguta capacidade de observação de Falco, que tanto o auxilia nos negócios, faz dele um criador de oportunidades. Reza a lenda, que a aviação deve a ele, a criação dos chamados "babadores usados nos aviões, que são fixados nas roupas dos passageiros com duas fitas adesivas. A idéia surgiu um dia, trocando a fralda do seu filho, ao observar a maneira como ela era adesivada.
A sua nova "tacada", apresentando a Ministra Chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, o projeto de participação no Plano Nacional da Banda Larga, coloca a OI na liderança de um processo de extremo interesse do governo federal.
A concorrência, tardiamente acordada, começa a atacar com ladainhas, reclamações e protestos.
"Tratamento privilegiado por parte do governo", "...ele foi a primeira pessoa a ficar contra a proposta e agora quer o monopólio de serviço público".
O governo, na tentativa de colocar "panos quentes" e preservar a sua posição de negociador e dono do projeto, afirma estar aberto a conversas com todas as empresas do setor.
É claro (sem querer fazer um trocadilho) que muitas propostas e negociações ainda vão acontecer. Quem sabe até um "pool" de empresas.
Mas nesse jogo, a OI já saiu com 1 x 0 e ainda conta com a vantagem do empate.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Lula e os Poderes

"Não podemos ficar subordinados ao que um juiz diz que podemos ou não fazer".

"Não podemos permitir que nosso destino fique correndo de tribunal para tribunal".

Um leitor incauto pode achar que as frases fazem parte de algum discurso do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, sobejamente conhecido por seu desrespeito as instituições e leis do seu país, bem como, por sua conduta ditatorial.

Mas, infelizmente, tornaram-se públicas na voz da mais alta autoridade brasileira. Na voz daquele que, por força do cargo que ocupa, deveria ser o primeiro a zelar pelo equilíbrio e respeito entre os poderes constituídos, dando exemplo inequívoco de submissão as leis e a Constituição Brasileira.

Caro presidente, quem diz o que se pode ou não fazer é a lei. Quem cria as leis, representando o interesse do povo, é o Poder Legislativo, em suas instâncias municipais, estaduais e federal. Um juiz apenas julga se elas estão ou não sendo cumpridas, aplicando a punição prevista, no caso da condenação.

O presidente Lula, afeito as frases prontas e ao discurso populista, mostra, não raras vezes, uma faceta extremamente preocupante, a de alguém que não mede os meios para alcançar o objetivo desejado.

O quase desespero em angariar os votos necessários para eleger Dilma, acaba por levá-lo a atos falhos, ou, no mínimo, impensados.

Acima de todos nós, sem distinções, está a Carta Magna, a Constituição Brasileira. Aquela que todo presidente eleito jura defender e obedecer.

Isso é democracia. A mesma democracia que permitiu à eleição de Lula, possibilitando a sempre positiva alternância de poder.

Como bem dito pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, "Nós não temos soberanos. Todos estão submetidos à lei. Todos nós estamos subordinados à Constituição"