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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

As maracutaias da UNE

Para muitos educadores, uma das melhores formas de se educar uma criança, é na base da demonstração, é dando o exemplo.
Através da observação das atitudes e procedimentos dos adultos, a criança vai aprendendo a construir o seu próprio conjunto de valores, que vai servir de norte para a sua vida adulta.
Isso talvez explique a situação em que se encontra a UNE - União Nacional dos Estudantes.
Com um passado glorioso, na defesa e luta pela liberdade democrática brasileira, vê-se hoje, imersa em uma barafunda de convênios fraudados, recursos públicos desviados e orçamentos forjados.
E para mostrar como esses meninos aprendem rápido, a lista não para aí. Dinheiro público recebido sem comprovação de gastos, extravio de notas fiscais e extratos bancários, concorrências com orçamento de empresas fantasmas e a não entrega das prestações de contas, completam a "lição de casa".
Segundo o Minstério da Cultura, dos convênios assinados com a UNE, pelo menos nove-totalizando R$ 2,9 milhões, estão irregulares.
Parece que ao buscar a parceria e o sustento do governo federal - esquecendo suas próprias origens, a UNE acabou fazendo um supletivo de trambiques e maracutaias.
É impossível não reconhecer a "cara do pai", dos seus usos e costumes, nessa nova UNE que aí está.
Anos de desmandos, corrupção, chantagens econômicas, desvio de verbas públicas e impunidade total - de vários governos, acabaram por ensinar nossos meninos. É a "Lei de Gerson" elevada à décima potência.
Com isso, aquele espírito combativo, guerreiro e contestador, deu lugar a uma entidade sem ideais - uma "vendedora de carteirinhas".
O nosso jovem de repente ficou velho. Não um velho sábio, cheio de ensinamentos e conselhos. A UNE quando se olha no espelho, só consegue ver refletida a imagem de tudo aquilo que ela sempre condenou.
É mais uma vez a história do exemplo.
Aqueles que, em seu nome, combatiam nas ruas e na clandestinidade, hoje estão no poder. Corrompendo e sendo corrompido. Agentes à serviço dos mesmos senhores contra quem sempre lutaram - o poder e a ganância.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Uma banqueta de 3 pés...

A quem interessa um Legislativo fraco?

O povo brasileiro, a cada dia que passa, encontra-se mais desiludido com os seus(??) representantes no Legislativo.

Corrupção, conchavos, acertos e prevaricações, sempre fizeram parte do cotidiano dos lídimos "homens do povo".

Hoje a exposição é ainda maior.Uma verdadeira enxurrada de mazelas e desmandos.

Para dar uma resposta aos brados da população, elegeu-se um culpado na função de ovelha oferecida ao sacrifício, como se a sua eliminação carregasse todos os males do mundo.

E a ovelha, que todos nós sabemos ser na verdade um velho lobo, começa a berrar: "...olha gente, eu não sou a única, aqui somos todas ovelhas!".

Berros para o povo e aviso para os seus iguais "...somos um castelo de cartas, se eu cair....."

O Executivo corre em auxílio. Convoca todos os seus cavaleiros para a defesa. E como nos filmes sobre a Máfia avisa que cobra lá na frente. Pensa que manter o Legislativo submisso, devedor de seus favores é a estratégia mais adequada ao seu projeto de perpetuação do poder.

Rapidamente é montado um "juri especial", trazendo para a presidência um obscuro e desconhecido político, que no ocaso da vida, sem nada à perder, enxerga a sua chance de brilhar.

Sua missão. Controlar uma imensa pá para enterrar nos arquivos qualquer denúncia contra a presidente do Senado e seus correligionários.

Do lado de cá, sentados na platéia do circo, estamos nós, olhando impotentes todo o desenrolar dessa pantomima.

A cada encenação mais distantes ficamos da sua compreensão. Gradativamente passamos a achar que aquilo não tem jeito e por não ter solução é melhor esquecer, deixar de lado e seguir com as nossas vidas. Como se isso fosse possível.

O povo precisa acreditar em suas lideranças.

O país precisa contar com as suas instituições fortes, independentes, soberanas.

O equilíbrio entre os Três Poderes é fundamental para o desenvolvimento da nação. Um não pode prescindir do outro. É no conjunto que se encontra a força.

Certa vez, na minha adolescência às voltas com meus estudos de desenho geométrico, querendo mostrar a um tio todo o meu conhecimento, disparei a queima roupa:

" - Tio, você sabe que três pontos são necessários e suficientes para determinar um plano?"

Meu tio, velho marceneiro de profissão, pouco estudo mas uma inteligência e perspicácia de dar inveja a qualquer bacharel, com um olhar zombeteiro responde:

" É claro que sei. Se a gente quiser fazer uma banqueta que se equilibre em qualquer tipo de terreno, é só fazê-la com 3 pés apenas!"