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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Quando a lei não ajuda...

"O Brasil é um país amarrado a uma legislação extensa, contraditória, esgarçada, sem visão de futuro e sem planejamento". Essa frase de Ozires Silva - publicada em matéria do jornal Economia Interativa - edição nº37, reflete muito da insatisfação desse brasileiro, com os entraves provocados pela burocracia, ao desenvolvimento do nosso país.
Ozires Silva pode falar de cátedra. Hoje reitor da universidade Unimonte, foi ministro da Infra Estrutura no governo Collor e fundador da Embraer, da qual foi presidente por duas vezes.
Como exemplo, Ozires fazia uma comparação entre a China e o Brasil, que hoje, mais do que nunca é pertinente.
"Em 1998 o governador Mario Covas lança o Rodoanel de São Paulo. Na mesma época os chineses lançavam o seu, para aliviar o trânsito em Pequim. Em 2.008, os chineses já tinham prontos seis rodoanéis"
E por aqui, o que encontramos?
Essa semana, a justiça paulista determinou que a concessionária CCR, administradora do Trecho Oeste do Rodoanel de São Paulo, deve suspender a cobrança de pagamento, nas 13 praças de pedágio.
A CCR, por sua vez, emite um comunicado nos principais jornais de São Paulo, declarando que o Tribunal de Justiça de São Paulo já havia suspendido uma liminar anterior, com parecer favorável a cobrança do pedágio, enquanto se aguarda o final da ação judicial.
A Concessionária alega que tem agido dentro das normas definidas em contrato assinado com o governo do Estado de São Paulo e com a agência reguladora.
Confirma ainda, que dos R$ 2 bilhões de reais parcelados que deve pagar pela outorga, já havia quitado R$ 1,225 bilhões.
Nessa mesma semana, mais especificamente ontem, a Justiça de Guarulhos determinou a paralisação imediata das obras e projetos relacionados ao Expresso Aeroporto e do trem de Guarulhos.
Segundo a promotoria, a CPTM - Companhia Paulista de Trens Metropolitanos teria apresentado em seus estudos e relatório para obtenção da licença ambiental, falhas e vícios que não permitiam a análise da sua viabilidade para o meio ambiente.
Não quero aqui discutir os méritos das questões expostas , muito menos estabelecer qual lado deva vencer.
Trata-se de quem realmente perde enquanto durar o impasse.
E quem perde somos nós. Nós que temos que trafegar por estradas intransitáveis e perigosas.
Nós que podemos levar mais de três horas para chegar ao Aeroporto de Guarulhos, suportando um trânsito infernal e poluído.
É toda uma população que pode chegar ao seu trabalho e retornar as suas casas, de uma maneira mais rápida, a um custo menor.
O produto só é caro quando não entrega aquilo que promete.
O que é melhor, caminhos seguros de uma estrada bem conservada ou a aventura dos buracos e desníveis que ninguém enxerga?
Qual é o impacto ao meio ambiente gerado por milhares de carros parados a queimar petróleo?
Qual é o custo de tudo isso?

terça-feira, 21 de julho de 2009

A Importação do lixo

Enfim após anos de intensos esforços governamentais, parece que o comércio bilateral Inglaterra /Brasil começa a render bons frutos.
A Inglaterra acaba de incluir mais um produto na lista das exportações para o Brasil: lixo tóxico.
Quem diria que os portos brasileiros - sempre aberto às nações amigas, acostumados a receber produtos químicos e farmaceuticos, adubos, bebidas, os famosos chás, entre tantos outros produtos ingleses, estariam recebendo contêineres repletos de resíduos plásticos tóxicos.
Talvez as importações brasileiras de pneus usados chineses, tenham estimulados os ingleses a agregar esse novo item em suas exportações.
Ou será uma vingança por nos haver apresentado o futebol e hoje só serem conhecidos como a pátria do criquete ou do polo ?
Uma triste constatação da impotência ou descaso com que é tratada a fiscalização nos portos brasileiros.
O problema pode ser ainda mais grave. Foram descobertos 41 contêineres contendo lixo tóxico em portos paulistas, mas segundo levantamento feito pela Centronave e publicado pelo O Estado de São Paulo, o número de contêineres abandonados em portos brasileiros já somam 5.000.
Quantos mais podem estar repletos de lixo ou substâncias tóxicas?
Considerando-se a metragem média dos contêineres marítimos, estamos falando de quase 112.000 m² de incógnitas.
Fora os óbvios prejuizos econômicos, que vão da amarzenagem a imobilização dos equipamentos, o perigo que isso pode representar para a saúde pública é enorme.
Que o governo brasileiro seja duro e rápido nas suas atitudes. Que as nossas autoridades portuárias sejam mais eficientes na fiscalização de tudo que aqui chega.
Centenas de anos nos separam da época em que daqui tudo se levava e só a escória era trazida.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Empregos crescem.Crescem?

Carlos Lupi, Ministro do Trabalho, declarou hoje que o Brasil fechou (ou seria melhor, abriu.?) o primeiro semestre de 2.009, com 300 mil novos postos de trabalho com carteira assinada.
Seria uma boa notícia, não tivesse esse número sido de 1.360.000 no mesmo período em 2.008.
Não é ruim, mas não deve servir de vento para as desfraldadas bandeiras otimistas do governo.
Outros bons dados ainda podem ser observados.
Os analistas econômicos melhoraram a projeção para a queda nesse ano do PIB (Produto Interno Brasileiro), passando de 0,55% para 0,34%. Alguns chegam até a apostar em uma pequena margem positiva, de 0,3% a 0.5%.
Os insumos domésticos estão substituindo, em parte, os importados.
A indústria se não está contratando, parou de demitir.
O consumo interno brasileiro tem mantido nossas contas sob controle.
A procura por crédito cresceu 4% em junho, superando índices pré crise ( apesar de estar aumentando a inadimplência entre as pequenas e médias empresas).
Talvez o que seja necessário mesmo, é mudar a forma de comparação.
O crescimento e os índices alcançados nos dois últimos anos, principalmente em 2.008, não serão obtidos tão cedo.
A crise começa a esboçar sinais de seu fim. Claro que a "guerra" enfrentada, como toda guerra, deixará sequelas.Será necessário todo um trabalho de reconstrução.
Mas o que precisa ficar absolutamente claro para todo mundo, é que a retomada não se dará nos mesmos patamares anteriores á crise.
Precisamos ter a consciência que será dado um passo atrás. Os números e metas devem deixar isso claro, para não nos deixar a sensação que voltaremos a mesma festa.
O salão e os convidados serão os mesmos, mas o buffet deve ser bem mais espartano.