Paul Krugman, em sua palestra em São Paulo, levantou questões que não devem ser esquecidas ou deixadas de lado.
Pelo ambiente em que foi proferido o discurso, e, pelo momento atual da economia mundial, é natural que o maior impacto, tenha sido, a afirmação de que o fluxo de dólar para o Brasil é uma bolha.
Nosso impetuoso Ministro da Fazenda- Guido Mantega, rapidamente partiu em defesa da sua cidadela ameaçada - “... ele está preocupado, mas tem investimentos no Brasil", levando a questão para um plano muito mais pessoal, do que no campo dos conceitos.
Discussões à parte é claro que a preocupação deva existir.
Esse tipo de investimento acompanha a "moda". Vem rápido e pode ir embora ainda mais depressa.
É preciso entender, que até prova em contrário, o Brasil é passagem desses investimentos, não destino final.
Nós não devemos - nem podemos, nos tornar reféns dessa situação. A generosa entrada de dólares, aliada a um real extremamente valorizado, não é uma situação permanente.
É como uma empresa que tem todo o seu capital de giro, lastreado por empréstimos bancários. Se por algum motivo, os bancos decidirem cortar os créditos e cobrar a dívida, a empresa quebra.
Mas talvez, a questão mais importante levantada por Krugman - por mais que abale o nosso "orgulho nacional", seja a de que o Brasil não será uma superpotência amanhã.
Isso não quer dizer que não venhamos a ser, mas é um alerta para tomarmos cuidado com os passos necessários para chegarmos até lá.
O nosso caminho está apenas começando. Nossos problemas ainda são gigantescos. Educação, Saúde, Trabalho, Infraestrutura e Habitação, há muito a percorrer antes de pleitearmos a posição.
As riquezas do petrosal são ações, cujos dividendos só poderão ser cobrados daqui vários anos.
Não se pode perder a perspectiva das coisas e do momento brasileiro.
Nossas incursões no campo da política e diplomacia mundial mostraram o quanto um erro de avaliação pode ser danoso.
Os casos Honduras/ Zelaya e Irã/ Mahmou Ahmadinejad deixaram claro a distância existente, entre o peso político que possuímos e aquele que o nosso governo acha que temos.
A sabedoria política está em saber qual batalha merece ser disputada e qual não.
O governo não pode se deixar seduzir pelos brilhos do jogo político internacional. É hora de muito juízo e cautela.
Relembrando o imortal Cartola -" ..o mundo é um moinho, vai triturar teus sonhos, tão mesquinho, vai reduzir as ilusões a pó"
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
O perigo estatizante
Parece que o governo do presidente Lula quer, cada vez mais, ampliar o controle sobre os mais variados setores da política e economia brasileira.
O seu poder sobre o Legislativo é inegável.A casa tem se mostrado absolutamente serviente aos rumos e diretrizes estabelecidos pelo Executivo.
Agora, após estabelecer os novos planos de crescimento e investimentos da Petrobrás, parte para cima da Vale.
A convocação do Palácio do Planalto para que Roger Agnelli - presidente da Vale, tivesse uma "conversa de pé de orelha" com Lula, na verdade não passou de uma grande pressão para que a Vale repensasse seus investimentos e a sua posição de não atuar na construção de siderúrgicas.
As notícias desencontradas de que o empresário Eike Batista, após conversa com o ministro da Fazenda Guido Mantega, apresentou uma proposta de R$ 9 bilhões para comprar a parte do Bradesco na Vale, serviu para colocar mais calor no assunto.
O Bradesco negou dizendo estar muito satisfeito com o retorno que tem obtido com seu investimento na Vale.
Em todo esse imbrólio, deve ser lembrado que a indicação de Agnelli para a presidência da companhia partiu do próprio Bradesco. A saída do banco do bloco de controle da mineradora, enfraqueceria ainda mais a posição de Agnelli no comando.
Legislativo, Petrobrás, Vale, algumas escaramuças com o Judiciário, qual será o próximo passo?
Lobão -ministro das Minas e Energia informou que deve ser incluído no novo código de mineração, a criação de um novo fundo social, a ser alimentado através de aumentos dos royalties pagos pelo setor.
A Eletrobrás ja avisou que nos próximos leilões de concessão e geração de energia estará participando para ganhar. Essa disputa, mais do que ajudar, atrapalha. Amedronta e afasta os investimentos privados.Até o ressurgimento da Telebrás já está sendo cogitado. O que mais virá por aí?
Pelo visto o governo do presidente Lula busca uma volta ao passado.
Um tempo de estatais ineficientes, pesadas e prestando um péssimo serviço a população.
É a contra mão de todo o sucesso obtido por nossa economia. Sucesso que só foi alcançado pela competência do trabalho das empresas privatizadas.
Claro que o governo deve exercer o controle e a fiscalização das atividades. Traçar os limites entre o possível e o permitido. Coibir abusos e desrespeitos a lei a aos princípios de mercado.
Essa é a sua função. Estabelecer as regras e o campo de jogo.
O erro acontece quando ele quer se tornar também o jogador.
O seu poder sobre o Legislativo é inegável.A casa tem se mostrado absolutamente serviente aos rumos e diretrizes estabelecidos pelo Executivo.
Agora, após estabelecer os novos planos de crescimento e investimentos da Petrobrás, parte para cima da Vale.
A convocação do Palácio do Planalto para que Roger Agnelli - presidente da Vale, tivesse uma "conversa de pé de orelha" com Lula, na verdade não passou de uma grande pressão para que a Vale repensasse seus investimentos e a sua posição de não atuar na construção de siderúrgicas.
As notícias desencontradas de que o empresário Eike Batista, após conversa com o ministro da Fazenda Guido Mantega, apresentou uma proposta de R$ 9 bilhões para comprar a parte do Bradesco na Vale, serviu para colocar mais calor no assunto.
O Bradesco negou dizendo estar muito satisfeito com o retorno que tem obtido com seu investimento na Vale.
Em todo esse imbrólio, deve ser lembrado que a indicação de Agnelli para a presidência da companhia partiu do próprio Bradesco. A saída do banco do bloco de controle da mineradora, enfraqueceria ainda mais a posição de Agnelli no comando.
Legislativo, Petrobrás, Vale, algumas escaramuças com o Judiciário, qual será o próximo passo?
Lobão -ministro das Minas e Energia informou que deve ser incluído no novo código de mineração, a criação de um novo fundo social, a ser alimentado através de aumentos dos royalties pagos pelo setor.
A Eletrobrás ja avisou que nos próximos leilões de concessão e geração de energia estará participando para ganhar. Essa disputa, mais do que ajudar, atrapalha. Amedronta e afasta os investimentos privados.Até o ressurgimento da Telebrás já está sendo cogitado. O que mais virá por aí?
Pelo visto o governo do presidente Lula busca uma volta ao passado.
Um tempo de estatais ineficientes, pesadas e prestando um péssimo serviço a população.
É a contra mão de todo o sucesso obtido por nossa economia. Sucesso que só foi alcançado pela competência do trabalho das empresas privatizadas.
Claro que o governo deve exercer o controle e a fiscalização das atividades. Traçar os limites entre o possível e o permitido. Coibir abusos e desrespeitos a lei a aos princípios de mercado.
Essa é a sua função. Estabelecer as regras e o campo de jogo.
O erro acontece quando ele quer se tornar também o jogador.
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