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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Um jogo complicado

Pela entrevista dada por Eike Batista, ao jornal O Estado de São Paulo, no dia 11 de outubro, está assando a "batata" de Roger Agnelli na presidência da Vale.
Parece que para o presidente Lula, o trabalho de Agnelli no comando da Vale - uma empresa privada, com participação do governo, não tem atendidos os interesses do país.
A demissão de funcionários no começo da crise, combinada com a posição da Vale de não priorizar investimentos em siderúrgicas, frustrando as intenções de Lula, deixaram-no muito irritado e com a certeza de que com Agnelli, o jogo não seria mudado.
Sentiu que precisava convocar um outro jogador. Nesse caso, ninguém melhor que Eike Batista, um empresário do setor, que sabe reconhecer as "oportunidades" da proximidade com o poder.
Investimentos no Brasil, agregação de valor aos minérios, construção de siderúrgicas - é Lula falando na voz de Eike. Um discurso e tanto. Capaz de encher de orgulho qualquer brasileiro.
Não importa que os fornos das siderúrgicas brasileiras estiveram desligados por muito tempo, contendo investimentos de seus proprietários, nem o fato de a Vale não ser uma companhia estatal e dever satisfação aos seus acionistas.
Eike Batista compraria um lote das ações da Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil), ganha uma cadeira no conselho da Vale e comanda a substituição de Agnelli, indicando como novo presidente, o próprio presidente da Previ - Sérgio Rosa.
Uma jogada de mestre. O Palácio do Planalto em festa.
Mas qual será o preço institucional a ser pago?
A Vale é uma das maiores companhias globais. Com quase 100 mil funcionários (contando os indiretos) e investimentos espalhados por todo o mundo, a Vale representa o novo Brasil que conquista seu espaço junto aos grandes do mundo.
Agora que voltamos a ser a "bola da vez" dos investidores internacionais, uma interferência tão agressiva certamente causaria desconfianças, podendo frear o movimento de entrada desses capitais.
Essa não é a hora, esse não é o jogo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O perigo estatizante

Parece que o governo do presidente Lula quer, cada vez mais, ampliar o controle sobre os mais variados setores da política e economia brasileira.

O seu poder sobre o Legislativo é inegável.A casa tem se mostrado absolutamente serviente aos rumos e diretrizes estabelecidos pelo Executivo.

Agora, após estabelecer os novos planos de crescimento e investimentos da Petrobrás, parte para cima da Vale.

A convocação do Palácio do Planalto para que Roger Agnelli - presidente da Vale, tivesse uma "conversa de pé de orelha" com Lula, na verdade não passou de uma grande pressão para que a Vale repensasse seus investimentos e a sua posição de não atuar na construção de siderúrgicas.

As notícias desencontradas de que o empresário Eike Batista, após conversa com o ministro da Fazenda Guido Mantega, apresentou uma proposta de R$ 9 bilhões para comprar a parte do Bradesco na Vale, serviu para colocar mais calor no assunto.

O Bradesco negou dizendo estar muito satisfeito com o retorno que tem obtido com seu investimento na Vale.

Em todo esse imbrólio, deve ser lembrado que a indicação de Agnelli para a presidência da companhia partiu do próprio Bradesco. A saída do banco do bloco de controle da mineradora, enfraqueceria ainda mais a posição de Agnelli no comando.

Legislativo, Petrobrás, Vale, algumas escaramuças com o Judiciário, qual será o próximo passo?

Lobão -ministro das Minas e Energia informou que deve ser incluído no novo código de mineração, a criação de um novo fundo social, a ser alimentado através de aumentos dos royalties pagos pelo setor.

A Eletrobrás ja avisou que nos próximos leilões de concessão e geração de energia estará participando para ganhar. Essa disputa, mais do que ajudar, atrapalha. Amedronta e afasta os investimentos privados.Até o ressurgimento da Telebrás já está sendo cogitado. O que mais virá por aí?

Pelo visto o governo do presidente Lula busca uma volta ao passado.

Um tempo de estatais ineficientes, pesadas e prestando um péssimo serviço a população.

É a contra mão de todo o sucesso obtido por nossa economia. Sucesso que só foi alcançado pela competência do trabalho das empresas privatizadas.

Claro que o governo deve exercer o controle e a fiscalização das atividades. Traçar os limites entre o possível e o permitido. Coibir abusos e desrespeitos a lei a aos princípios de mercado.

Essa é a sua função. Estabelecer as regras e o campo de jogo.

O erro acontece quando ele quer se tornar também o jogador.