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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Quem dá mais pelo Carrefour?

Qual é a verdadeira intenção da Colony Capital e de Bernard Arnault - CEO da LVMH, principais acionistas do Carrefour, ao pressionarem o conselho do grupo a se desfazerem das operações no Brasil e na China?
Enquanto as lojas europeias apresentam taxas de vendas declinantes, o crescimento nos dois países alvo é da ordem de dois dígitos, sendo que só no Brasil,no primeiro semestre do ano, as vendas bateram na casa dos 14% de expansão.
A alegação de que buscam elevar os preços das ações, para recuperar perdas passadas, não faz sentido.
Vender operações em mercados com altas taxas de crescimento nas vendas, para ficar com mercados estagnados, beira a maluquice, coisa que Arnault e Tom Barrack - fundador da Colony Capital decididamente não são.
Mesmo que a intenção da venda seja verdadeira, a mídia nunca é a primeira a saber. São negociações sigilosas, em petit comitê, com todas as medidas de segurança tomadas. Qualquer vazamento de informação pode derrubar o valor das ações.
Então porque a corrida à mídia?
Duas hipóteses podem ser levantadas para toda publicidade gerada.
O conselho do grupo, sentindo toda a pressão colocada pelos dois investidores, resolveu "levantar a tampa da panela" vazando a informação, na tentativa de inverter o sentido da pressão, enfraquecendo a força da Colony e Arnauld.
A outra hipótese, é que os dois investidores deixaram "escorregar" para a mídia todo o processo, esperando que a confusão causada jogasse para baixo o valor das ações. Comprariam na baixa, aumentando a participação no grupo.
Bernard Arnauld é conhecido pela sua agressividade e truculência nos negócios. A sua própria história na LVMH é prova disso.
Após promover a sua entrada no capital desse gigante do luxo francês, Arnauld soube como ninguém aproveitar todos os desentendimentos entre os outros acionistas, para se tornar majoritário e presidente da companhia.
O cenário está armado.
Vamos aguardar os próximos lances desse jogo.
A promessa é de intensas emoções.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Bradesco, olha as uvas Bradesco!

As justificativas apresentadas por Luiz Carlos Trabuco - presidente do Bradesco, pelo fim das negociações com a Porto Seguro, demonstram o grande mal estar que paira na sede do banco em Osasco.
Mal agravado pelo poderoso rival Itaú Unibanco, que em mais um lance de rapidez, ousadia e oportunismo, fechou em poucas horas o acordo que o coloca (e a Porto Seguro), na segunda posição do mercado de seguros brasileiro. Perto, mas muito perto mesmo da liderança do Bradesco.
Segundo o ranking da Austin Rating, no acumulado até junho, em Negócios de Seguros, Previdência e Capitalização, 23,1% do mercado está nas mãos do Bradesco. Em 2º lugar, com 16,4% está o Itaú, que se somar os 6,5% de participação da Porto Seguro, eleva o resultado da operação à 22,9% do mercado. O Bradesco continua na frente por apenas 0,2% de vantagem.
O constrangimento de Trabuco deve ser ainda maior, levando-se em conta que a derrota aconteceu no terreno que ele mais domina. Antes de assumir o comando do banco, ocupou por vários anos a cadeira da presidência da Bradesco Seguros.
Explicar uma derrota é como explicar uma piada. por mais jeito que se tenha, sempre vai parecer sem graça.
Na verdade, a distância para o Itaú só tem aumentado nesses últimos tempos.
Mesmo o grande esforço de mídia feito pelo Banco do Brasil, para anunciar a retomada do 1º lugar entre os bancos no primeiro semestre, provavelmente não resistirá ao fechamento do balanço 2.009.
O provisionamento para créditos duvidosos lançados pelo Itaú em seu balanço semestral- muito superior ao do Banco do Brasil, deve ajudar os números no fechamento do ano e , por consequência, a volta ao primeiro posto.
Assim, as explicações do Bradesco nos fizeram lembrar uma antiga fábula de Esopo - A raposa e as uvas. A raposa após várias tentativas de alcançar as uvas, desistiu deixando uma resposta " eu não queria mesmo, elas estavam verdes...."

terça-feira, 7 de julho de 2009

O exterminador.....

Parece que o famoso “jeitinho brasileiro”, passou a ser incorporado ao “way of life” californiano.
Arnoldo Schwarzenegger, governador da Califórnia, tornou pública
a situação de seu estado, que não tem mais dinheiro para pagar suas contas.
Para fazer frente às dívidas, Schwarzenegger lançou os IOU - títulos de reconhecimento de dívida, que serão usados para pagar todas as despesas correntes do governo.
Os IOU - são na verdade, os chamados "registered warrant",
que se tornaram conhecidos pela sigla IOU ou popularmente I Owe You ( Eu devo a Você).
Tradicionalmente sempre representaram um
reconhecimento de dívida e um compromisso de pagamento.
O mais inusitado no processo, é que os documentos emitidos agora,
não especificam data de quitação, ficando dependentes dos saldos de caixa do governo.
A recessão californiana é grave. Alguns economistas preveem que possa
durar mais até que a do próprio Estados Unidos.
A bolha do mercado imobiliário americano atingiu profundamente a California.
Mais da metade dos empregos gerados no estado, nos últimos anos, vinham desse setor.
Ao que tudo indica, Schwarzenegger vai viver dias de popularidade e "bilheteria" baixa.
Clint Eastwood, também ator e republicano, teve melhor sorte administrando a cidade californiana de Carmel.
Os inimigos das telas dos cinemas eram mais fáceis de enfrentar. Um efeito
especial aqui e outro ali, faziam com que hordas alienígenas fossem
dissolvidas pelos seus raios laser.
Schwarzenegger mudou o rumo da sua vida, buscando o reconhecimento
do político,talvez para que o ator, que tanto sucesso fez,
fosse definitivamente sepultado.
O cuidado agora é não retornar ao passado e voltar a ser conhecido por todos os californianos como o "Exterminador do Futuro".....